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Investigação sobre jovem estuprada em Coité do Noia revela suposto esquema que movimentou R$ 305 milhões

Ação é um desdobramento das investigações que buscavam localizar Vitinho, suspeito do abuso sexual; as apurações identificaram indícios de organização criminosa, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro


				Investigação sobre jovem estuprada em Coité do Noia revela suposto esquema que movimentou R$ 305 milhões
Reprodução

Investigações da Polícia Civil que tentavam descobrir a cadeia financeira que mantinha foragido Victor Bruno da Silva, de 18 anos, acusado de estuprar e causar lesões graves em Maria Daniella, levaram os investigadores a identificar um grupo criminoso — liderado pelo pai dele — envolvido em esquema milionário de lavagem de dinheiro e crimes fiscais. Segundo o delegado José Carlos, somente na conta do pai do jovem, conhecido como “Vitinho”, havia movimentação de R$ 150 milhões em quatro anos.

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A informação foi revelada pelo delegado da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), José Carlos, durante coletiva à imprensa realizada nesta sexta-feira (10), após a prisão de Victor pelo crime de estupro contra a jovem.

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Entenda

O jovem foi acusado de levar Maria Daniella, de 19 anos, para uma chácara da família do pai dele, localizada na zona rural de Coité do Noia, no dia 6 de dezembro de 2024. Lá, ele teria dopado, espancado e estuprado a vítima. O caso veio à tona após o pai dela ir às redes sociais para denunciar o crime.

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Exames periciais constataram a presença de medicamentos — que podem ser usados para ‘apagar’ as vítimas — no organismo dela. Com isso, a polícia concluiu que ‘Vitinho’ dopou a jovem para estuprá-la.

Segundo a Polícia Civil, Maria Daniella sofreu não só violência sexual, como agressões físicas e foi submetida à asfixia, o que causou consequências neurológicas graves, já que o cérebro dela foi privado de oxigênio por tempo considerável.

Ela sofreu traumatismo craniano grave e precisa, mesmo quase dois anos depois, de acompanhamento médico especializado e reabilitação. A jovem ficou sem conseguir movimentar as mãos, sem conseguir se alimentar sozinha e com inchaços e edemas no cérebro, segundo relato da família.

Diante da gravidade, a Justiça acatou o pedido de prisão preventiva da Polícia Civil, mas o jovem fugiu em fevereiro de 2025. Desde então, ele se mantinha escondido, sem que a polícia obtivesse êxito nas buscas para encontrá-lo.

O delegado José Carlos explicou que, diante da dificuldade em saber o paradeiro de Victor Bruno, a Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar movimentações financeiras que pudessem identificar quem e como a fuga do acusado estava sendo sustentada.

“A investigação iniciou com relatório da Delegacia de Capturas (Deic), que realizou diligências para prender o Vitinho. A gente instaurou investigação criminal financeira, primeiramente por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Quando nós analisamos as contas bancárias, com autorização judicial, nos assustamos”, afirmou a autoridade policial.

Isso porque, segundo o delegado José Carlos, foi identificado que só o pai do “Vitinho” movimentou, em quatro anos, R$ 150 milhões em contas bancárias. Com isso, ele foi apontado como líder de um grupo criminoso de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro, composto por seis pessoas físicas e jurídicas. Segundo o investigador, ao todo, o restante dos integrantes movimentou R$ 305 milhões em quatro anos.

O delegado afirma que, além do pai de Vitinho, o jovem também é alvo do inquérito de crimes financeiros. A autoridade policial informou que foram analisados dados e encontradas provas de como o esquema funcionava. “Os envolvidos usavam contas de pessoas físicas e de laranjas para movimentar recursos de empresas. Duas empresas do grupo tinham, no papel, um pagamento de imposto irrisório, mas, na prática, movimentavam milhões”, informou a autoridade policial.

A operação desta sexta-feira mirou sete endereços e cinco alvos, inclusive Victor Bruno. Segundo a Polícia Civil, foram apreendidos documentos, veículos, aparelhos celulares e R$ 90 mil em espécie. Também foram solicitadas indisponibilidades de valores em contas bancárias do grupo criminoso.

“Nosso objetivo era estancar e interromper essa lavagem de dinheiro e os crimes fiscais, principalmente em relação ao fisco estadual, e interromper essa cadeia de recursos que mantinha Vitinho seguro e distante, apesar de todo o esforço feito diuturnamente pela Polícia Civil”, concluiu o delegado José Carlos.

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