Aos 36 anos, Carlão é prata nos 50m livre e vai ao pódio pela primeira vez

Em sua terceira Paralimpíada, nadador brasileiro quebra jejum e conquista nos Jogos Rio 2016 medalha inédita na classe S13, para atletas com baixa vis

A persistência de Carlos Farrenberg, enfim, foi recompensada. Após bater na trave com o quarto lugar em Pequim 2008 e cair duas posições em Londres 2012, o paulista finalmente pôde comemorar, aos 36 anos, sua primeira medalha em Paralimpíadas. Nesta quarta-feira, Carlão, como é conhecido, levantou o Estádio Aquático com a inédita prata nos 50m livre S13, para atletas com baixa visão. O fenômeno de Belarus, Ihar Boki, conquistou mais um ouro, seu quarto nestes Jogos, e bronze ficou com Muzaffar Tursunkhujaev, do Uzbequistão.
- É demais, é demais. Minha terceira Paralimpíada e ainda não tinha conseguido nenhuma medalha. Acho que nunca me preparei tanto, nunca cheguei tão bem para os Jogos. A prova foi muito dura, como a gente já esperava, mas eu sabia o que tinha que fazer, sabia que tinha que acertar a chegada e foi fantástico. Uma medalha que sonhei por muito tempo - vibrou Carlão.
Favorito ao ouro, o multicampeão de Belarus, Ihar Boki, de 22 anos, disparou na frente e liderou de ponta a ponta, estabelecendo o novo recorde paralímpico (23s44) e garantiu sua quinta medalha nos Jogos do Rio, a quarta de ouro. Carlão travou uma batalha acirrada com o nadador do Uzbequistão. Empurrado pela torcida, o nadador brasileiro apertou as braçadas nos últimos metros, cravou 24s17 e levou a prata por quatro centésimos, deixando o bronze para Muzaffar Tursunkhujaev (24s21).
A conquista de Carlão lembrou a do também veterano Anthony Ervin, de 35 anos, que conquistou na mesma piscina em agosto seu segundo ouro olímpico dos 50m livre, 16 anos após o primeiro. O feito do americano, inclusive, foi uma das inspirações para o brasileiro.
Carlos Farrenberg tem somente 20% da visão por conta de uma toxoplasmose congênita (doença infecciosa transmitida ainda na gestação). Desde os seis meses, já era levado pela mãe para aulas de natação. Competiu entre atletas olímpicos até os 15 anos, quando se afastou um pouco do esporte. Já adulto, perto de terminar a faculdade de Educação Física, um dos professores disse que com o grau de visão que ele tinha, poderia procurar as competições paralímpicas. Foi então que voltou a ser atleta aos 24 anos. Além da natação, gosta também de praticar mergulho, canoagem e surfe.