CLAMOR DAS MULHERES

Que este dia motive o governo, via SSP, a cuidar do funcionamento efetivo das delegacias especializadas

Oficializado em oito de março de 1975 como o Dia Internacional da Mulher, por deliberação da ONU, a data remete a outras motivações históricas, ainda do início do século passado, quando as mulheres ocuparam as ruas, em várias cidades do mundo, para protestar contra a desigualdade e a exploração.

Este ano, a ONU resolveu homenagear especialmente a comunidade feminina que se encontra na linha de frente do esforço global de combate à pandemia. Mas sem esquecer o lamentável drama do aumento da violência doméstica, notadamente nas regiões de maior vulnerabilidade social.

A preocupante escalada já havia mobilizado o Congresso brasileiro, em junho do ano passado. Os senadores tornaram essenciais as medidas de enfrentamento à violência contra mulheres, crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiência, durante o período de emergência pública causada pela covid-19.

Se o confinamento promove tensões e gera preocupações em relação à saúde e ao sustento financeiro, também alertou para a situação das mulheres que passaram a conviver mais tempo no lar com parceiros violentos.

No caso de Alagoas, o histórico é grave. Antes mesmo da crise sanitária, em 2019, o Estado liderou a taxa de feminicídio do País, conforme dados do Núcleo de Estudos da Violência, sistematizados pela USP.

E, agora em fevereiro, nos quatro dias que seriam de carnaval, Alagoas contabilizou quase 120 casos de violência contra a mulher, da capital ao interior, incluindo feminicídio. Sem agitação momesca e com índices preocupantes, o governo resolveu por bem deixar para lá a tradicional folia midiática em torno das estatísticas.

Há pouco tempo, a bancada feminina do Poder Legislativo, refletindo o clamor das ruas, cobrou do governador Renan Filho mais ação no combate ao crime contra as mulheres. A verdade é que a ineficiência do setor se arrasta desde o início da atual gestão.

As delegacias especializadas em Alagoas não operam durante 24 horas. Muito menos estão disponíveis em horários críticos, além de feriados e finais de semana, quando as agressões são mais frequentes. Diante da insuficiência de políticas públicas, é compreensível que as mulheres se sintam menos encorajadas para denunciar seus agressores.

Neste dia oito de março, a Casa da Mulher Alagoana Nise da Silveira completa 60 dias de inaugurada. Ela resulta de um esforço conjunto dos poderes para melhor apoiar as demandas do segmento. Infelizmente, ainda se ressente de efetiva funcionalidade.

A data, portanto, é simbólica e de luta pela dignificação da mulher na sociedade. Ao governo do Estado, através da SSP, que foque na vida real, abolindo o cineminha virtual pelas redes sociais e cuidando do funcionamento efetivo das delegacias especializadas.