Anticoncepcional masculino começará a ser testado em humanos

Segundo o laboratório americano Parsemus Foundation o medicamento se assemelha a uma ?vasectomia reversível?

O lançamento da pílula anticoncepcional, nos anos 1960, foi um marco importante da revolução sexual feminina. Agora, 50 anos depois, o medicamento voltou ao centro das discussões feministas como recurso que vai de encontro ao empoderamento. Além dos riscos de trombose e dos relatos de diminuição da libido, deixar a responsabilidade da contracepção só nas mãos das mulheres é limitador. Já não seria a hora de os homens assumirem também o encargo do controle da natalidade?
Entre os avanços que começam a surgir neste sentido, está o Vasalgel, anticoncepcional masculino, que vem sendo desenvolvido e testado em animais desde 2013 pela empresa americana Parsemus Foundation.
O medicamento funciona como uma espécie de gel bloqueador de esperma por meio de uma injeção aplicada no canal deferente do saco escrotal, que têm a função de armazenar os espermatozoides. Segundo pesquisadores, o resultado do procedimento é semelhante ao de uma vasectomia, porém, sem intervenção cirúrgica e com a possibilidade de ser reversível com a aplicação de uma injeção à base de bicarbonato de sódio, capaz de dissolver o gel.
"Os resultados, até o momento, foram comprovados em coelhos. O estudo mostrou que os animais que receberam a injeção de Vasalgel não apresentaram esperma em seu sêmen até 29 dias e tiveram a produção de esperma bloqueda pelos 12 meses seguintes,", contou Ben Carlson, diretor de comunicação do laboratório, em entrevista à Marie Claire.
"Nosso próximo passo é testá-lo em humanos para coletar dados sobre a segurança e eficácia do medicamento." Neste momento, os especialistas encontram-se em fase de seleção de homens que a princípio considerem se submeter a uma vasectomia. "Nós ainda não temos a comprovação de que o efeito possa ser reversível em humanos."
Os testes estão marcados para começarem no primeiro semestre de 2017 e o lançamento está sendo planejado para o fim de 2018, com foco no mercado norte-americano, europeu e canadense. Segundo a Parsemus Foundation, o valor previsto para o medicamento é de US$ 400 (cerca de R$ 1.296).
Segundo Carlson, muitos homens podem preferir o Vasalgel à vasectomia porque "poderão preservar a possibilidade de ter filhos no futuro".  "Outros podem ainda optar pelo medicamento para evitar qualquer efeito colateral que a cirurgia possa causar [ainda existe um tabu sobre a vasectomia causar impotência, embora os especialistas neguem]."
Para viabilizar o lançamento, a empresa busca também investimento público.