Coluna

Julie Alves

com Dan Nascimento

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'ELLAS' estão de volta!

O trio que sempre foi um fenômeno gospel completa 20 anos!

Julie Alves

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Foto: Reprodução

Quando o assunto é música, não podemos esquecer das três irmãs que movimentaram o cenário gospel no Brasil. O ano era 2001 quando Betânia, Roberta e Valeria ficaram nacionalmente conhecidas como o Grupo Ellas. Com o álbum de estreia intitulado "Eterna Graça", o trio trazia para o mercado cristão o estilo Black-Music norte americano, influenciando musicalmente e culturalmente jovens de norte a sul do país. "Ellas" acabam de completar 20 anos de carreira e anunciam a sua volta com exclusividade para esta coluna.

Por que esse tempo todo longe da música? Daquilo que acreditamos ser o dom de vocês!

Somos muito fãs da palavra de Deus. Em Eclesiastes 3 fala-se sobre a visão de tempo que tem que haver para tudo nessa vida. Acreditamos fielmente. Isso acontece na vida de todas as pessoas. Há tempo de costurar e tempo de desatar, tempo de abraçar e tempo para deixar de abraçar. Foi permissão de Deus, mesmo sem parecer que fosse a vontade dele, naquele momento era! Porque assim nós separadamente podemos cultivar e realizar sonhos que outrora seria impossível juntas. Cada uma foi para um lado. Valeria casou e foi para a Espanha, Betânia realizou a questão da profissionalização dela, eu realizei meu sonho acadêmico e hoje, mais maduras, estamos todas bem, coube esse tempo ocorrer, nos amamos tanto, amamos a voz e o talento de cada uma, com isso nos reunimos e décimos fazer algo e porque não o Grupo Ellas.

Vocês tem um público cativo e que sente muita falta de vocês! O Grupo Ellas está voltando?

Quando falamos sobre esse tempo, quem olha pensa que não estamos traçando um caminho para nós. Quando ocorreu a primeira vez de gravarmos, não planejamos! Betânia chegou falando sobre o convite e todas juntas topamos. Não é algo deliberado e intencional. Sempre queríamos fazer algo juntas novamente, só que nunca dava. Quando uma podia, a outra estava comprometida com outro trabalho, o uma mal chegou ao Brasil, já estava de volta para a Espanha. Daí falamos, quando tiver que ser, será. Agora estamos vivendo um tempo oportuno então podemos dizer que voltamos!

Vocês marcaram uma geração, com vozes inconfundíveis e um estilo visual marcante. Na questão do estilo, foi algo pensado ou foi surgindo naturalmente?

Valéria é a mais velha das três (risos), sendo assim se lançou primeiro na música, muitas das vezes riam do cabelo, estilo de se vestir e de se mexer dela. Achávamos que só os brancos poderiam ser autênticos, só que para Deus somos todos iguais, não somos melhores que ninguém. Quando Deus abriu essa porta para o grupo Ellas onde poderíamos falar com a nossa postura, nossas raízes e expressar toda nossas negritude, não pensamos duas vezes, propositalmente imprimimos nossas características e que virou uma marca registrada, afinal de contas somos mulheres lindas, negras conscientes e amamos nossa cor. O Grupo Ellas foi um grito de libertação para muitos.

Vocês enfrentaram barreiras dentro das igrejas por conta desse estilo?

Por incrível que pareça as igrejas mais tradicionais eram as que mais nos convidaram. Havia igrejas que não batiam palmas, em algumas ocasiões quando cantávamos a música "Jesus Cristo" junto com nosso pai, a introdução dela se inicia com tambores, uns membros olhavam para os outros, mas depois começaram a se mexer, movimentar os pés. Independente da liturgia, formação teológica que cada igreja tem, eles tinham a mesma opinião sobre o Grupo Ellas "Que éramos jovens, meninas do Senhor Jesus, acompanhando o ritmo, sendo autênticas naquilo que nós sabíamos".

Essa pegada Soul, R & B, vocês se inspiraram em algum cantor gospel ou secular Americano?

Nós nos consideramos ecléticas, cada uma tem um estilo, que gostamos de ouvir e cantar, juntando todos se tornam o grupo Ellas. Nossa referência é americana, CeCe Winans, Kirk Franklin, Yolanda Adams, Céline Dion, Whitney Houston, Mariah Carey, Destiny 's Child, agora também Beyoncé são algumas delas. Mas essa referência veio naturalmente, não ouvimos e decidimos que seria assim. Em uma ocasião, bem antes de compormos o grupo, Valéria recebeu uma fita, uma amigo disse que nosso jeito de cantar parecia com o das duas mulheres que estavam ali naquele K7, ouvimos e identificamos que parecia mesmo, daí fomos buscar saber e descobrimos que eram Mariah e Whitney, daí nos identificamos e gostamos.

Vocês foram grande sucesso nos anos 2000, vocês sabiam lidar com a fama no meio gospel? Pois no secular existe muita vaidade.

Existe vaidade em todos os meios! Mas não fazíamos ideia do que estava acontecendo, tocávamos em todas as rádios e nossa reação era apenas de alegria, só entendemos do peso do nosso trabalho, depois que abrimos e cada uma foi viver a sua vida. Pois muitos que acompanhavam o grupo, começaram a pedir a nossa volta.

O que mudou nesse período em que vocês deram uma pausa no Grupo Ellas?

Hoje somos mais conscientes e maduras. Temos mais entendimento a cerca de nós como indivíduos e com isso aprendemos a lhe dar com as diferenças de cada uma, foi um aprendizado e com isso adquirimos mais valores que nos levaram a ver que nada pode sobrepor o amor que sentimos umas pelas outras e o amor ao nosso ministério e a todos que nos acompanham.

A internet chegou com tudo, Vocês vieram de uma época aonde se vendia CD, ouve um avanço tecnológico com as plataformas digitais de música, como vocês enxergam isso?

Agora está muito mais acessível para todos, antigamente uma pessoa que morasse em uma cidade pequena, onde não houvesse loja de musica, tinha que pegar ônibus para ir a uma cidade maior e comprar os CDs, hoje mudou, se tem intermete, lá ela tem acesso. Esse avanço tecnológico facilitou muito. Hoje ficou mais fácil de a musica chegar até as pessoas, em qualquer lugar que elas estiverem.

Estão habituadas com toda essa tecnologia, redes sociais, interagem com os fãs?

Do trio a que mais mexe é a Betânia, sempre falamos que ela é da geração Y. Mas entendemos o poder que a internet tem nos dias de hoje e a importância para nós que temos nosso ministério. As redes sociais nos aproximam mais de quem segue o nosso trabalho e consequentemente faz com que essas pessoas sintam-se mais perto da gente.  

Como é a preparação de vocês para os shows e eventos?

Pedimos sempre que seja reservada uma sala para orarmos, pois precisamos de amparo espiritual, também preparamos o repertorio das canções que iremos ministrar, bebemos água ou chá para hidratar as pregas vocais. As igrejas fazem um banquete, ficamos sempre na vontade (risos) , pois não podemos comer antes, só depois, pois precisamos estar com as pregas vocais limpas.

Três mulheres, negras e artistas! Já sofreram preconceito racial?

Como grupo nunca passamos ou presenciamos algo do tipo, mas no individual sim, cada uma de nós tem sua experiência com esse tema, já vivenciou ou presenciou. Aconteceu algo recente com uma pessoa próxima a Betânia que ela saiu em defesa, ela sempre faz questão de enfatizar nas redes sociais que assim como todas nós, ela também é contra e abomina todo tipo de preconceito. É algo que não suportamos, Bêtania nos fala que sempre pede mansidão e temperança ao nosso Senhor Jesus e ao Espirito Santo, para não sair da graça em situações como essa(risos).

Nesse período pandêmico, como tem sido para vocês?

Em todo tempo Deus é bom! Vivemos mundialmente um momento de adversidades por conta da covid, estamos tristes com tudo que vem acontecendo, mas somos gratas a Deus por estarmos de pé! Tem sido um momento de retorno. As agendas e eventos foram cortados por conta da pandemia. Cada uma de nós, nos reinventamos, Valeria voltou para o Brasil, Betânia tem dado aulas de canto e Roberta também voltou a dar aulas virtualmente, e criou o projeto "Educar em Arte".