Com dívida de R$ 5,1 bilhões, rede de hospitais com 140 clínicas pelo Brasil pede recuperação extrajudicial
A Oncoclínicas protocolou pedido para renegociar R$ 5,1 bilhões em dívidas e afirma que atendimento aos pacientes e pagamentos a fornecedores serão mantidos

A Oncoclínicas, uma das maiores redes especializadas no tratamento do câncer no Brasil, protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras.
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A empresa, que possui 140 clínicas pelo Brasil, afirma que a medida não afetará o atendimento aos pacientes nem os pagamentos a fornecedores, e informa que já conta com o apoio de credores que representam cerca de 37% do valor total da dívida.
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Segundo a companhia, o objetivo da recuperação extrajudicial é reestruturar passivos financeiros, incluindo dívidas quirografárias e créditos intercompany, por meio de um processo de negociação com os credores. A partir do processamento do pedido, a empresa terá 90 dias para alcançar o quórum necessário à homologação do plano.
A decisão foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração e ainda precisará ser ratificada pelos acionistas em uma AGE (Assembleia Geral Extraordinária), que será convocada nos próximos dias.


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O que muda com a recuperação extrajudicial da Oncoclínicas?
Em comunicado ao mercado, a Oncoclínicas ressaltou que a recuperação extrajudicial tem como foco apenas a reestruturação financeira e que as operações continuam normalmente.
A empresa informou que os compromissos com pacientes, fornecedores e prestadores de serviço permanecem válidos e serão cumpridos nos prazos previstos. Segundo a companhia, atividades consideradas essenciais não fazem parte da renegociação das dívidas, garantindo a continuidade dos tratamentos oncológicos em todas as unidades.
Entre as medidas previstas no plano estão:
- aporte de capital pelos acionistas;
- conversão de parte da dívida em participação societária;
- substituição de débitos antigos por novos títulos;
- alongamento dos prazos de pagamento.
A empresa afirma que essas alternativas poderão ser adotadas de forma conjunta para fortalecer sua estrutura financeira.

Por que a rede de hospitais Oncoclínicas entrou em crise?
A deterioração financeira começou após o IPO (Oferta Pública Inicial de Ações), realizado em 2021. Na época, a companhia adotou uma estratégia de forte expansão, baseada na aquisição de clínicas e na abertura de novas unidades, aproveitando o cenário de juros baixos.
Com o aumento da taxa Selic nos anos seguintes, o custo da dívida cresceu significativamente, pressionando o caixa da empresa.
No primeiro trimestre de 2026, a Oncoclínicas registrou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões, elevando as perdas acumuladas em 12 meses para R$ 4 bilhões.
A companhia também informou que enfrentou problemas de abastecimento de medicamentos devido à pressão sobre o caixa. No período, o fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$ 153,1 milhões.
Banco Master agravou dificuldades financeiras
Outro fator que contribuiu para a crise foi a relação financeira com o Banco Master.
A Oncoclínicas mantinha R$ 478,2 milhões aplicados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) da instituição e precisou firmar um acordo para recuperar esses recursos.
Além disso, fundos ligados ao Banco Master chegaram a controlar mais de 20% da rede de saúde. O banco era controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, preso após investigações relacionadas a fraudes financeiras.
Contratos rescindidos e multas milionárias
Como parte do processo de reorganização, subsidiárias da Oncoclínicas rescindiram contratos de locação do tipo built-to-suit.
O Centro Paulista de Oncologia encerrou o aluguel de um imóvel na Avenida Angélica, em São Paulo, gerando uma multa estimada em R$ 76 milhões, incorporada ao processo de recuperação extrajudicial.
Já o CEBROM (Centro Brasileiro de Radioterapia Oncologia e Mastologia), em Goiânia, também rescindiu um contrato para construção de uma unidade hospitalar. O valor da penalidade ainda está sendo calculado.
Queda nas ações e operação nacional
Desde a estreia na Bolsa, em agosto de 2021, as ações da Oncoclínicas acumulam queda superior a 94%.
Atualmente, o BRB (Banco de Brasília) possui 8,66% da companhia. Entre os principais acionistas também estão os fundos Josephina (17,61%), Latache (14,59%) e Geribá Participações (5,89%).
A Oncoclínicas opera 142 unidades em 59 cidades de 12 estados brasileiros, reunindo cerca de 1,7 mil especialistas nas áreas de oncologia, hematologia e radioterapia. Nos últimos 12 meses encerrados em março, a rede realizou aproximadamente 133 mil tratamentos e registrou receita bruta de R$ 5,4 bilhões, valor 13,6% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
