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Mãe relata caso raro ao notar leite saindo das axilas durante a gravidez

Jornalista Priscilla Lima, 45, brasileira que mora na Espanha, viveu uma situação inusitada durante a primeira gravidez


				Mãe relata caso raro ao notar leite saindo das axilas durante a gravidez
Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

A jornalista Priscilla Lima, 45, brasileira que mora na Espanha, viveu uma situação inusitada durante a primeira gravidez: leite começou a sair pelas axilas. Mas, ela já esperava que poderia acontecer, pois sabia que tinha mamas acessórias — tecidos mamários que se desenvolvem fora da região habitual dos seios. Durante a gestação, esse tecido aumentou de tamanho e também passou a produzir leite.

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"Eu não assustei, pelo contrário. Eu ri. Todo mundo ficava chocado", diz, em entrevista à CRESCER.

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Priscilla já sofria com um incômodo embaixo do braço desde os 15 anos. "Notei uma 'espinha interna' embaixo do meu braço. Tentava espremer e não saia nada, claro. Fui em vários médicos e cada um falava uma coisa. Fiz ultrassom, mamografia e era sempre 'não maligno' e 'deixa pra lá'. Só que doía muito", lembra.

A dor sempre se intensificava quando estava menstruada. A princípio era uma "bolota" do lado esquerdo no seio. Anos mais tarde, apareceu uma do lado direito também. "Sempre dolorida. Às vezes, doía mexer o braço. Mais tarde, fui entender que a dor vinha com as alterações hormonais no ciclo menstrual", conta.

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Com o tempo, as "bolotas" foram crescendo, o que atrapalhava seu dia a dia. "Na parte estética também era ruim, porque inchava e ficava uma bola na blusa. No verão, era quase impossível usar blusinha de alcinha", recorda.

'Pensava que era uma bizarrice total'

A resposta só veio anos depois. "Fui numa consulta com mastologista da Unicamp e ele me disse com muita segurança que se tratava de uma mama acessória", afirma. "Ele me disse que, como outros animais, a mulher poderia nascer com mais de dois seios e eu fui sorteada", brinca.

Quando recebeu o diagnóstico, ficou abalada. "Pensava que era uma bizarrice total. Anomalia. Estranheza, nem sei mais o que. Nunca tive vergonha de contar para as pessoas, mas por muitos anos achei que era uma condição rara", destaca.

Priscilla quis remover as mamas acessórias desde o início. "Sempre achei que um dia ia sair naturalmente, como isso não aconteceu, quando tinha uns 30 anos procurei um cirurgião para tirar. Eu acho que, na época, não era uma coisa muito comum, porque a médica meio que não sabia o que fazer", conta.

"Ela disse que teria que abrir, tirar toda mama acessória e só depois de aberto ela ia saber o tamanho da mama. Nesse caso, eu teria que fazer outra plástica para colocar o silicone para igualar as mamas", diz.

Isso significaria duas cirurgias e dois meses de recuperação. Na época, ela trabalhava na TV e não conseguiria se ausentar do emprego por tanto tempo. "Sem chance disso acontecer", acrescenta. Por isso, continuou com as mamas acessórias.

'Todo mundo ficava chocado

No entanto, quando engravidou, aos 33, ficou muito incomodada, pois as mamas acessórias cresceram bastante. "Quando eu estava com 8 ou 9 meses de gestação, começou a vazar leite da mama. Eu notei meu sutiã molhado embaixo do braço. Um dia, segurando a mama, vi esguichar leite", recorda.

Priscilla já sabia que isso poderia acontecer. "O médico da Unicamp havia me dito lá atrás, mas eu nem lembrava mais. Eu não assustei, pelo contrário. Eu ri. Todo mundo ficava chocado", afirma.

Depois que a filha nasceu, a produção de leite aumentou bastante, inclusive na mama acessória esquerda. Na direita, nunca saiu leite. Mesmo assim, as duas cresceram muito e ficaram caídas. Além do desconforto, a questão estética também passou a incomodar Priscilla. Então, ela voltou à saga de encontrar um médico para fazer a remoção.

"Um dia encontrei no YouTube uma cirurgia de retirada de mama acessória e para a minha surpresa era algo super simples. Um corte da axila e a retirada (queimando). Nada de retirar o seio como a cirurgiã havia me dito antes. Outra surpresa foi que nesse vídeo tinha muitos comentários de mulheres, todas falando que tinha mama acessória - deixei de me sentir uma anomalia. E mais, algumas tinham feito a cirurgia pelo SUS", destaca.

'Eu ainda não consigo saber como vai ser a vida sem esse 'estorvo'. Mas não vejo a hora'

Priscilla começou a buscar por médicas para fazer a cirurgia, até que encontrou Déborah Vazi Ribeiro, uma cirurgiã plástica de Varginha, Minas Gerais, que tinha experiência com o procedimento. A médica sugeriu fazer a retirada da mama acessória junto com uma mamoplastia - cirurgia plástica para reconstruir ou remodelar as mamas.

Então, ela começou a organizar a logística para vir ao Brasil, já que mora na Espanha. "Só não tentei pelo SUS porque disseram que demora uns 2 anos e, como não moro no Brasil, não tenho como vir correndo assim que for chamada", explica.

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