Depois dos 40, a gente entende que paz não se negocia
Maturidade é perceber que nem toda discussão precisa da nossa resposta

A maturidade não nos ensina apenas a contar os anos. Ela nos ensina a escolher melhor onde colocamos nosso tempo, nossa energia e o nosso coração.
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Durante muito tempo, eu achei que precisava ser aceita. Aceita pelas pessoas, pelos lugares e pelas expectativas que colocavam sobre mim. Como acontece com tanta gente, em alguns momentos tentei explicar demais minhas escolhas, agradar para evitar conflitos e permanecer em situações que já não me faziam bem.
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O tempo passou. E uma das coisas mais bonitas que a maturidade me ensinou foi que paz não se negocia.
Com o passar dos anos, algumas coisas perdem a importância que um dia tiveram: a necessidade de provar quem somos, a preocupação excessiva com a opinião dos outros, a obrigação de responder a tudo e até a culpa por dizer “não”.


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Isso não significa que deixamos de nos importar com as pessoas. Talvez aconteça justamente o contrário. Aprendemos a amar melhor, mas também entendemos que amar não significa aceitar tudo.
Maturidade é perceber que nem toda discussão precisa da nossa resposta. Nem toda crítica merece uma explicação. Nem todo afastamento é uma perda. E nem toda porta que se fecha precisa ser aberta novamente.
Há uma liberdade enorme quando entendemos isso.
Começamos a escolher melhor quem senta à nossa mesa, quem conhece nossos sonhos e quem merece acesso às partes mais íntimas da nossa vida. E essa escolha não precisa nascer da arrogância. Pode nascer simplesmente do respeito por nós mesmos.
Com o tempo, também descobrimos que recomeçar não é fracassar.
Podemos mudar de opinião, mudar de caminho, criar novos projetos e descobrir novas versões de nós mesmos. Podemos começar aos 30, aos 40, aos 50 ou quando a vida nos chamar novamente.
A idade não deveria ser uma sentença. Ela pode ser bagagem.
Hoje, quando olho para trás, não gostaria de apagar todas as dificuldades que vivi. Algumas delas me ensinaram exatamente aquilo que os momentos fáceis nunca conseguiriam ensinar.
Existem batalhas que vencemos lutando e outras que vencemos simplesmente deixando de participar.
O silêncio também pode ser resposta. A distância também pode ser proteção. E dizer “não” pode ser uma das formas mais bonitas de dizer “sim” para nós mesmos.
Principalmente, entendi que não precisamos caber em todos os lugares.
Durante uma parte da vida, queremos que todos gostem de nós. Depois percebemos que isso é impossível. E, mais tarde, entendemos algo ainda melhor: não precisamos disso para viver bem.
Talvez amadurecer seja justamente isso: parar de correr atrás de aprovação e começar a caminhar em direção àquilo que nos traz verdade.
Escolher relações recíprocas. Valorizar quem permanece. Cuidar daquilo que dinheiro nenhum compra: nossa consciência tranquila, nossa família, nossos afetos, nossa fé e nossa paz.
A vida continua tendo problemas depois dos 40. Continuamos errando, nos decepcionando, chorando e começando novamente. A diferença é que passamos a compreender que não precisamos carregar tudo conosco.
Algumas coisas precisam ficar pelo caminho para que possamos seguir mais leves.
Hoje, eu não quero uma vida perfeita. Quero uma vida verdadeira.
Uma vida com pessoas verdadeiras, sentimentos sinceros, escolhas conscientes e a tranquilidade de saber que não preciso diminuir quem sou para permanecer em lugar nenhum.
Porque o tempo passa rápido demais.
E, se existe uma coisa que ele me ensinou, é esta:
Paz não se implora.
Não se troca por aprovação.
E, principalmente, não se negocia.
Márcia Verbena
Criadora de conteúdo digital e idealizadora do Café com Verdades
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
