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Vereador defende criação de parque público na Lagoa da Anta e critica “cidade de concreto”

Líder do MDB na Câmara propõe transformar área do Hotel Jatiúca em espaço verde para a população


				Vereador defende criação de parque público na Lagoa da Anta e critica “cidade de concreto”
Vereador defende criação de parque público na Lagoa da Anta. Wesley Bonfim / Assessoria

A discussão sobre o futuro da Lagoa da Anta, na Jatiúca, ganha força na Câmara Municipal de Maceió. O vereador Alan Pierre (MDB) defendeu que, caso as atividades do Hotel Jatiúca sejam encerradas, a área será transformada em um parque público, garantindo um espaço verde para a cidade. A proposta surge no momento em que a Record Construtora avança com um projeto bilionário para a construção de cinco megatorres de 15 andares cada, o que tem gerado preocupações quanto ao impacto ambiental, urbanístico e na mobilidade.

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“Vou propor um requerimento ao município para que, caso as atividades do hotel sejam encerradas, transformemos esse espaço, onde temos a nossa Lagoa da Anta preservada, em um grande parque verde. Precisamos pensar na qualidade de vida dos maceioenses e no equilíbrio entre desenvolvimento e meio ambiente”, destacou Pierre.

O parlamentar ressaltou a necessidade de um debate amplo sobre o Plano Diretor de Maceió, que deve ser entregue ainda no primeiro trimestre deste ano. Para ele, o desenvolvimento da cidade não pode ocorrer sem levar em consideração o impacto ambiental e a qualidade de vida da população.

“Construir cinco torres para ter uma vista de 360 graus do mar pode parecer incrível à primeira vista, mas e a cidade daqui a alguns anos? Qualidade de vida não pode ser secundária. Hoje tivemos alagamentos na cidade, e a pergunta que fica é: por que isso acontece? É um reflexo do desequilíbrio ambiental. Estamos impermeabilizando o solo excessivamente, tanto com obras públicas quanto privadas. O que acontece quando a água não encontra espaço para escoar?”, questionou o vereador.

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Pierre alertou que o avanço imobiliário precisa vir acompanhado de soluções sustentáveis, e não apenas da expansão do concreto na cidade.

“Quando falo de uma cidade de concreto, é isso que quero dizer. Estamos vendo estruturas sendo erguidas sem considerar a compensação ambiental. O avanço do mar já é visível para todos e, em vez de tentarmos recuperar o espaço natural, seguimos colocando mais concreto para conter os danos que nós mesmos causamos”, explicou.

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Interesse público acima do privado

O vereador também destacou que o desenvolvimento imobiliário é fundamental, mas que os interesses da sociedade precisam prevalecer sobre os interesses individuais.

“O direito empresarial é livre, mas há um princípio básico: o interesse público se sobrepõe ao interesse privado. Não podemos permitir que relações comerciais decidam sozinhas o futuro de uma cidade com mais de um milhão de habitantes. Precisamos pensar na Maceió que queremos deixar para as próximas gerações”, afirmou Pierre.

Para ele, Maceió precisa de mais espaços de convivência e áreas verdes, e não apenas de empreendimentos voltados para a valorização imobiliária e o turismo.

“O que temos de novo em relação a parques? Apenas o Parque Municipal. Precisamos considerar o ar que respiramos, respeitar o trajeto natural do meio ambiente e pesar o impacto econômico. Qual é o efeito real para a cidade? Para a mobilidade? Para o meio ambiente? Essas questões precisam ser discutidas com a sociedade”, ponderou o vereador.

Negociação bilionária sob sigilo e pagamentos milionários já firmados

O projeto da Record Construtora tem um Valor Geral de Vendas (VGV) – que representa o faturamento total das unidades a serem comercializadas pela construtora – que pode chegar a R$ 2 bilhões, segundo agentes do mercado imobiliário. As negociações com o Grupo Lundgren estão sendo mantidas “sob sigilo”, conforme declarou Hélio Abreu, sócio da construtora, e incluem um “contrato de gaveta” já fechado. Houve um pagamento inicial de R$ 10 milhões à vista.

Agentes do setor imobiliário questionam o motivo de a negociação estar sendo mantida em sigilo, já que o projeto, pelo seu impacto urbanístico e ambiental, deveria ser de amplo conhecimento da população.

Os termos estabelecem ainda que a Record assumirá uma dívida de R$ 260 milhões do Grupo Lundgren junto a instituições financeiras. Além disso, há um pagamento adicional de R$ 260 milhões, totalizando R$ 520 milhões, referente a uma taxa de valorização de 35% sobre a incorporação da área ao projeto.

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