Ata “atípica” do PSDB amplia incertezas sobre Senado, vice e chapa de JHC até dia 15
Marina Candia segue registrada como candidata a deputada federal, apesar do apoio de Flávio Bolsonaro para que dispute o Senado

07/08/2026 às 13:12 • Atualizada em 07/08/2026 às 16:58 - há XX semanas
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As atas encaminhadas à Justiça Eleitoral não confirmam o anúncio de Marina Candia como candidata ao Senado e ampliam as dúvidas sobre a composição da chapa que deverá ser liderada pelo ex-prefeito de Maceió, JHC. Mesmo após o apoio público de Flávio Bolsonaro, o documento do PSDB/Cidadania enviado depois das 23h dessa quinta-feira (6) ainda mantém Marina como candidata a deputada federal.
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Além de não formalizar a mudança de Marina para a disputa ao Senado, a ata não define todas as vagas da chapa majoritária e concede amplos poderes a JHC para alterar as indicações feitas pela federação até o registro das candidaturas. Procurado pela reportagem para explicar as divergências nas atas, a situação de Marina e os poderes concedidos ao ex-prefeito, o comando da campanha de JHC preferiu não se manifestar.
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Juristas ouvidos pela reportagem consideraram “atípico” o modelo adotado. Segundo eles, as escolhas de candidaturas são questões internas dos partidos, mas podem ser questionadas por filiados que se sintam prejudicados, principalmente se nomes escolhidos durante a convenção forem retirados posteriormente sem uma nova discussão interna. "Nunca vi uma situação como essa", confidenciou um jurista à Gazeta.
Os especialistas observaram que a convenção não apresentou uma definição específica para todas as vagas da chapa majoritária. Não houve indicação conclusiva para vice-governador, suplentes e segunda candidatura ao Senado, deixando essas escolhas para uma etapa posterior.


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Em tese, segundo os juristas, a federação poderá apresentar mudanças até 15 de agosto. Dentro desse prazo, poderão ser formalizadas desistências, alterações nas indicações e uma nova organização das chapas majoritária e proporcional.
A possibilidade de mudança, entretanto, não significa que a direção partidária tenha poder irrestrito para desfazer tudo o que foi decidido na convenção. Os juristas alertam que a autorização concedida a JHC pode ser alvo de questionamentos e até considerada ilegal se for utilizada para retirar unilateralmente candidatos escolhidos pelos convencionais ou anular decisões tomadas no encontro.
CHAPA SEGUE INDEFINIDA
As convenções partidárias terminaram na quarta-feira (5), mas os documentos apresentados ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL), por meio do sistema da Justiça Eleitoral, mostram que as principais definições da aliança permanecem em aberto.
A quinta-feira foi marcada pela expectativa sobre a candidatura de JHC ao governo, a participação do PL, a indicação do vice e a ocupação das duas vagas ao Senado. A manifestação de Flávio Bolsonaro em apoio a Arthur Lira e Marina Candia reforçou um desenho político que, até agora, não aparece integralmente nas atas.
APOIO SEM FORMALIZAÇÃO
Flávio Bolsonaro declarou apoio, nessa quinta-feira, a Arthur Lira e Marina Candia para o Senado. A manifestação foi interpretada como mais um sinal da aproximação entre o grupo de JHC, o PL e a Federação União Progressista, comandada por Lira em Alagoas.
A ata da União Progressista confirma a intenção de formar uma coligação com PSDB/Cidadania, PL, PDT, Podemos e Renovação Solidária. O documento reserva a primeira vaga ao Senado para Arthur Lira e determina que a segunda candidatura seja indicada pela Federação PSDB/Cidadania.
A condição abre caminho para Marina disputar o Senado e ajuda a explicar o apoio de Flávio Bolsonaro. No entanto, a ata do próprio PSDB/Cidadania não formaliza essa indicação. Marina permanece entre os nomes escolhidos para disputar uma vaga de deputada federal.
O desencontro entre o movimento político e o conteúdo das atas deixa aberta uma questão central: Marina já foi retirada da chapa proporcional para concorrer ao Senado ou essa mudança ainda depende de uma nova decisão partidária?
ATAS DEIXAM CHAPA EM ABERTO
A ata da União Progressista também estabelece condições para a formação da coligação. O grupo de Arthur Lira somente participará da aliança majoritária se JHC for o candidato ao Governo de Alagoas. Caso o PSDB/Cidadania indique outro nome, União Brasil e PP ficarão fora da coligação para o governo.
O documento reserva ainda a indicação do candidato a vice-governador ao PL. Nos bastidores, porém, Ronaldo Lessa continuava sendo apontado até a noite de quinta-feira como uma possibilidade para formar a chapa com JHC. Nenhuma das alternativas estava confirmada nas atas.
A divisão do tempo eleitoral para o Senado também foi antecipada. União Progressista, Renovação Solidária e PL ficariam com Arthur Lira, enquanto PSDB/Cidadania, Podemos e PDT apoiariam o segundo candidato.
O nome politicamente anunciado para a segunda vaga é o de Marina Candia, mas a indicação ainda não aparece na ata de sua federação. No mesmo documento, ela continua incluída na chapa para deputada federal.
A eventual retirada de Marina da disputa pela Câmara também poderá gerar consequências dentro do PSDB. Um dos candidatos da própria legenda afirmou que sua saída teria potencial para “implodir” a nominata, alterando os cálculos dos demais concorrentes.
Apesar do apoio anunciado por Flávio Bolsonaro e do desenho apresentado pela União Progressista, as atas não permitem tratar a chapa como fechada. Até agora, os documentos apontam Arthur Lira para a primeira vaga ao Senado, reservam a segunda indicação ao PSDB/Cidadania e mantêm Marina Candia como candidata a deputada federal.