PC apura se PM que atirou em jovem agiu em legítima defesa
Vítima, que tem transtornos mentais, atirou uma pedra na guarnição durante ocorrência no Tabuleiro do Pinto, em Rio Largo
A Polícia Civil (PC), por meio da Delegacia de Homicídios de Rio Largo, abriu inquérito para investigar a morte de um jovem com transtornos mentais após este ser atingido por um disparo de arma de fogo durante uma intervenção de militares. O delegado da cidade quer descobrir se a policial que atirou agiu ou não em legítima defesa.
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Segundo informações do delegado de Rio Largo, Igor Diego, por volta das 19h da última sexta-feira (23), no Tabuleiro do Pinto, agentes da Delegacia de Homicídios da capital foram acionados ao local, para averiguar a morte de um jovem, conhecido apenas como Júnior.
O homicídio teria ocorrido após a vítima ter jogado uma pedra em direção à guarnição da Polícia Militar (PM) que atendeu a ocorrência. Em consequência disso, a militar atingida efetuou um disparo de arma de fogo, vindo a ferir o peito do rapaz, que chegou a ser socorrido a uma unidade hospitalar, mas morreu a caminho.
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Em um vídeo encaminhado à imprensa, na manhã desta segunda-feira (26), o delegado informou que os militares envolvidos na ocorrência, bem como familiares da vítima, foram ouvidos na Delegacia de Homicídios da Capital.


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Após os procedimentos preliminares, toda a documentação foi enviada à Delegacia de Homicídios de Rio Largo.
"Instauramos o inquérito hoje de manhã e será fundamental verificar se os PMs da ocorrência tinham ou não conhecimento de que a pessoa sofria de transtornos, uma vez que, se não sabiam dessa condição, não poderiam se comportar de forma diferente. Ou seja, vamos apurar se o caso foi uma legítima defesa, se ela usou dos meios necessários, de forma moderada, para repelir injusta agressão sofrida", disse Diego.
O promotor que atua no caso, Ary Lages, informou que o órgão já acompanha o caso. "Estamos acompanhando o inquérito policial, dando o suporte necessário para que cheguemos à conclusão se, de fato, foi uma situação de legítima defesa ou não", disse o promotor.
Quem também acompanha o caso e vai emitir ofícios aos órgãos competentes é o Conselho de Direitos Humanos, na pessoa do presidente Magno Alexandre. Segundo ele, é preciso verificar não somente o ato de uma possível legítima defesa, mas se a PM tinha outras armas não letais com ela, como equipamento de choque elétrico ou bala de borracha.
"Armas não letais são importantes para proteger a vida e conter o agressor. É necessário saber o que a militar tinha à sua disposição naquele momento, podendo, se fosse o caso, efetuar um disparo de bala de borracha. Além disso, se só tinha a arma letal, porque não ter atirado em outra região do corpo?", questionou o presidente, informando, também, que o Conselho está à disposição da família para prestar todo o apoio necessário.

