Renan Calheiros defende mandato para ministros do STF e promete cobrar Braskem no Senado
Candidato também fala em renegociação da dívida, combate às emendas secretas e aões em saúde e infraestrutura
O candidato ao Senado Renan Calheiros (MDB) defendeu, nesta terça-feira (22), uma mudança na forma de atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), com a adoção de mandatos para os ministros da Corte. Em entrevista ao Bom Dia Alagoas, da TV Gazeta, o senador afirmou que o modelo poderia estabelecer períodos de oito a dez anos para os integrantes do Supremo, como ocorre, segundo ele, em outras democracias.
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Renan também defendeu uma reforma mais ampla dos Poderes, com mudanças nas emendas parlamentares, no financiamento das campanhas e no Judiciário. Sobre a indicação dos ministros do STF, afirmou que o presidente da República poderia continuar responsável pelas escolhas, mas com mandato de duração definida para os integrantes da Corte.
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O candidato também disse concordar com a idade mínima para ingresso no Supremo (35 anos), além de defender o fim dos chamados penduricalhos e dos supersalários do serviço público, sobretudo no Judiciário.
Braskem como prioridade


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Outro tema de destaque na entrevista foi a situação das vítimas da Braskem em Maceió. Renan afirmou que pretende manter a defesa das pessoas atingidas pela mineração como uma das prioridades de um novo mandato.
Segundo o candidato, quase 60 mil pessoas que viviam na área afetada não teriam sido procuradas nem recebido indenizações. Ele afirmou que a empresa precisa indenizar quem ainda não foi contemplado.
Renan lembrou sua atuação na CPI da Braskem no Senado e afirmou que, à frente da Comissão de Assuntos Econômicos, pretende continuar acompanhando o caso.
O senador também criticou o acordo firmado entre a Prefeitura de Maceió e a Braskem envolvendo áreas da capital. Segundo ele, a gestão municipal teria feito um acordo que classificou como “criminoso” e permitido a transferência de áreas para a empresa. Renan afirmou ainda que a destinação dos recursos do acordo precisa ser esclarecida e responsabilizou politicamente o então prefeito pela operação.
Dívida de Alagoas
Ao falar sobre sua atuação em Brasília, Renan destacou a renegociação das dívidas dos E0stados durante o período em que presidiu o Senado.
Segundo ele, a mudança no indexador permitiu reduzir o peso das dívidas estaduais e abriu espaço para que os governos pudessem ampliar investimentos.
O candidato afirmou que pretende continuar atuando para viabilizar recursos para Alagoas e negociar condições favoráveis para o Estado.

Lula em Alagoas
Renan também comentou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Alagoas, prevista para esta quinta-feira (24). Para o candidato, a presença do presidente terá impacto na campanha eleitoral no Estado.
Renan afirmou que Lula lidera as pesquisas nacionais e que sua presença em Alagoas é importante para os aliados. O senador também declarou que está à frente nas pesquisas que considera sérias e que a disputa pelas duas vagas ao Senado é difícil.
A pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 21 de setembro, porém, mostrou Arthur Lira com 41,2%, Marina JHC com 37,8% e Renan com 34,6% das intenções de voto. O levantamento ouviu 1.400 eleitores entre 18 e 20 de setembro e tem margem de erro de 2,7 pontos percentuais.
Emendas e transparência
Renan também criticou o modelo de distribuição de emendas parlamentares. Segundo ele, houve falta de transparência e o chamado orçamento secreto representou uma distorção no uso dos recursos públicos.
O candidato defendeu que as emendas voltem a seguir critérios individuais e de bancada e afirmou que será necessário combater mecanismos que permitam a utilização de recursos sem transparência.
Segurança pública
Na segurança, Renan defendeu uma política mais abrangente e o fortalecimento das forças policiais. Ele citou a integração entre Polícia Civil (PC) e Polícia Militar (PM) nos Centros Integrados de Segurança Pública (CISPs) como uma das medidas que, em sua avaliação, contribuíram para a redução da violência em Alagoas.
O candidato também defendeu orçamento adequado para a área, sem contingenciamentos, planejamento e mudanças na legislação penal.
Renan lembrou ainda sua atuação na criação da Lei Maria da Penha e afirmou que, durante sua passagem pela Presidência do Congresso Nacional, participou da aprovação do crime de feminicídio.

Saúde e infraestrutura
Na saúde, Renan defendeu a continuidade da regionalização dos serviços iniciada durante o governo de Renan Filho e mantida, segundo ele, por Paulo Dantas.
O candidato afirmou que a construção de hospitais no interior permite reduzir a pressão sobre as unidades de Maceió e melhorar o atendimento para quem depende exclusivamente do SUS.
Na infraestrutura, citou a expansão da malha rodoviária e os investimentos feitos pelo Estado. Também destacou o Canal do Sertão e afirmou que foi responsável por iniciar a obra e por incluir o projeto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Renan citou ainda o programa de irrigação em São José da Tapera e a construção do quinto trecho do Canal do Sertão como ações que devem contribuir para o desenvolvimento do interior.
Experiência como argumento eleitoral
Durante a entrevista, Renan também utilizou a própria trajetória política como argumento para buscar a reeleição. Ele lembrou que já foi deputado estadual, deputado federal, constituinte, ministro da Justiça, senador e presidente do Congresso Nacional.
O candidato afirmou que mantém o mesmo entusiasmo do primeiro mandato e disse que a experiência acumulada permite negociar recursos e defender interesses de Alagoas em momentos decisivos. “Na vida, o que não pode improvisar é a experiência”, afirmou.
Renan também citou o reconhecimento recebido do Congresso em Foco, que o apontou novamente como melhor senador, segundo sua declaração na entrevista.
