Gás, contas pagas e cestas básicas: facção 'compra' silêncio de comunidades em AL
Cinco pessoas foram presas nesta quarta-feira; liderança do grupo encontra-se no RJ e também é alvo de mandado de prisão

Uma operação deflagrada pelas Polícias Civil (PC) e Militar (PM), nesta quarta-feira (9), cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão contra membros da facção criminosa Comando Vermelho (CV) que utilizam o assistencialismo para silenciar as comunidades onde atua no tráfico de drogas. Por meio de benefícios como a entrega de botijões de gás, os criminosos garantem a colaboração dos moradores em caso de qualquer movimentação policial na região, por exemplo.
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De acordo com o delegado Igor Diego, chefe da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), a operação deflagrada hoje tem o objetivo de combater o crime organizado em Alagoas. Todos os envolvidos teriam ligação com o traficante conhecido como Nem Catenga - que é a liderança do CV no Estado. O alvo dessa vez, no entanto, foi o líder da localidade onde a ação foi deflagrada, conhecido como Tinho ou Painho, que se encontra no Rio de Janeiro, além de seus subordinados que atuam no tráfico em Alagoas.
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No total, foram expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital 16 mandados judiciais, sendo 8 de prisão, sete de busca e apreensão e uma de medida cautelar para uma mulher que tem filhos menores que dependem exclusivamente dela. Até o final da manhã, cinco pessoas tinham sido presas e as polícias trabalhavam para prender mais um suspeito em Alagoas.
Os outros dois têm como alvo o líder do grupo e outra pessoa que se encontram no Rio de Janeiro, onde diligências para prendê-los estão sendo realizadas pela polícia local.


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“A Operação acontece, sobretudo, na Vila Brejal, onde a organização presta assistencialismo a algumas famílias que ajudam com informações sobre algumas bocas de fumo na localidade e avisam quando a polícia está chegando, por exemplo. Essa organização tem aliciado várias crianças e adolescentes tanto para vender drogas quanto para fazer cobrança de pessoas que não estão efetuando os pagamentos”, afirma o delegado.
Ele destaca que essa técnica de ofertar assistencialismo tem sido bastante utilizada pelas facções. Por meio dela, a comunidade acaba não enxergando o verdadeiro papel dos bandidos e ajudando a criminalidade.
“É uma técnica que vem sendo utilizada pelas facções. As facções que possuem bocas de fumo prestam assistencialismo para que a população contribua e jogue a favor do crime organizado. Muitas pessoas que não são favoráveis à prática de crimes, mas necessitam do apoio de alguém, acabam ajudando. Essas organizações pagam uma conta de água, um gás, compram cesta básica e acabam ganhando a confiança dos moradores”, destaca Igor Diego.
As diligências, que acontecem nos bairros da Levada e Cidade Universitária, em Maceió, e também no município de Marechal Deodoro, continuam ao longo do dia com o objetivo de localizar e prender a pessoa que se encontra foragida.
