Estudantes criam bicicleta adaptada e realizam sonho de menina com hipotonia de pedalar ao lado da família
Após meses de testes e protótipos, três alunos do ensino médio desenvolveram assento personalizado, pedais adaptados e sistema de apoio para ajudar uma criança

O sonho de Everleigh era simples: acompanhar a família em um passeio de bicicleta. Mas, por causa da hipotonia, condição que reduz o tônus muscular, manter o equilíbrio sobre um selim convencional era um desafio que parecia distante.
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Foi esse desejo que mobilizou três estudantes do ensino médio em Midland, no estado de Michigan, nos Estados Unidos. Durante cerca de oito meses, eles transformaram uma bicicleta comum em um equipamento adaptado para que a menina pudesse pedalar com mais conforto e segurança.
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A iniciativa, divulgada pelas Midland Public Schools em maio de 2025, reuniu os estudantes Craig Hurst, Allison Nussear e Ryleigh Sunderland, orientados pelo professor de engenharia Corey Spurling.
Um pedido que saiu da sala de aula


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O desafio chegou à turma de Projeto Final de Engenharia depois que o professor conheceu a família de Everleigh na Escola Primária Siebert.
A menina queria participar de uma atividade comum para muitas crianças: andar de bicicleta ao lado dos pais e dos familiares. No entanto, a fraqueza muscular no abdômen e nas costas impedia que permanecesse estável sobre uma bicicleta tradicional.
Em vez de buscar uma solução pronta, os estudantes decidiram desenvolver um projeto pensado exclusivamente para ela.
Antes de construir, eles aprenderam a observar
Logo no início, a equipe percebeu que seria preciso entender exatamente quais eram as dificuldades enfrentadas por Everleigh.
Como a menina ainda era muito nova, ela não conseguia explicar com precisão quais movimentos causavam desconforto ou comprometiam o equilíbrio.
Os alunos passaram a acompanhar sua postura durante as tentativas de pedalar e conversaram detalhadamente com a mãe da criança. A partir dessa observação, identificaram que o principal desafio estava na falta de estabilidade do tronco.
Essas informações se transformaram nos primeiros requisitos do projeto.
Um assento inspirado em motocicletas
Craig Hurst utilizou o software de modelagem Fusion 360 para desenvolver um novo assento.
A inspiração veio dos bancos de motocicletas do tipo cruiser, conhecidos por oferecer maior apoio ao corpo.
O selim ganhou laterais elevadas, apoio traseiro e um formato contornado para manter Everleigh em uma posição mais estável. O objetivo não era apenas evitar quedas, mas reduzir o esforço exigido dos músculos responsáveis por manter o tronco ereto.
Um detalhe simples resolveu outro desafio
Os estudantes também perceberam que os pés da menina escorregavam facilmente dos pedais.
Para solucionar o problema, instalaram tiras de velcro que mantinham os pés posicionados durante a pedalada, sem impedir os movimentos naturais.
Embora fosse uma adaptação simples, ela aumentou significativamente a segurança da bicicleta.
A família também precisava participar
Outro desafio era permitir que um adulto pudesse auxiliar Everleigh durante os passeios sem comprometer sua autonomia.
A equipe adaptou uma alça existente, encurtou seu comprimento e criou um sistema removível.
Assim, um familiar pode acompanhar a bicicleta quando necessário e retirar o acessório conforme a menina ganha confiança para pedalar sozinha.
Uma balança de cozinha virou instrumento de engenharia
Antes de alterar as marchas da bicicleta, os estudantes decidiram medir exatamente quanta força Everleigh conseguia aplicar nos pedais.
Para isso, desmontaram uma balança de cozinha e adaptaram seu mecanismo ao sistema da bicicleta, criando um medidor capaz de registrar o esforço realizado pela criança.
Os testes mostraram que não seria necessário substituir as engrenagens originais.
A conclusão trouxe um aprendizado importante: em engenharia, nem toda solução exige acrescentar novos componentes. Às vezes, entender o problema evita mudanças desnecessárias.
O projeto foi pensado para crescer com Everleigh
Ao longo de aproximadamente oito meses, os estudantes pesquisaram alternativas, criaram protótipos, realizaram medições e ajustaram cada detalhe da bicicleta.
A montagem final levou apenas duas semanas. O restante do tempo foi dedicado ao planejamento, aos testes e às correções.
Como Everleigh ainda está em fase de crescimento, a equipe também preservou o modelo digital do assento personalizado. Dessa forma, novas versões poderão ser produzidas futuramente apenas atualizando as medidas da menina, sem que seja preciso redesenhar todo o projeto.
Muito além de uma bicicleta
Para Craig Hurst e Ryleigh Sunderland, o trabalho também teve um significado pessoal. Ambos convivem com irmãs com deficiência e conhecem de perto as dificuldades enfrentadas por famílias que precisam adaptar equipamentos ao dia a dia.
Essa experiência ajudou o grupo a desenvolver uma solução que fosse funcional, confortável e realmente útil para Everleigh.
No fim do projeto, a bicicleta adaptada representava mais do que um exercício de engenharia. Ela permitiu que uma criança participasse de um momento cotidiano ao lado da família — mostrando como conhecimentos aprendidos na escola podem sair da sala de aula e transformar a realidade de uma comunidade.
