Empresa teria conhecimento de substâncias tóxicas em ração que matou cavalos em Atalaia, aponta MP
Administradores teriam sido informados sobre a contaminação, mas os produtos continuaram sendo fornecidos

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) aponta que a empresa Nutratta Nutrição Animal Limitada S.A. teria conhecimento da contaminação de rações relacionadas à morte de 80 cavalos da raça Mangalarga Marchador no Haras Nova Alcatéia, em Atalaia, mas continuado a fornecer os produtos.
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A informação consta na denúncia apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Atalaia contra a empresa, o sócio majoritário e o administrador operacional/financeiro. Para reparar os danos, o promotor de Justiça Ary Lages Filho pediu o sequestro e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, ativos financeiros e participações societárias da empresa e dos denunciados. O prejuízo para o haras ultrapassa R$ 82,57 milhões.
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Segundo os autos, a Nutratta começou a receber reclamações sobre mortes de animais em 24 de abril de 2025, mas teria iniciado as investigações internas quase três semanas depois. O recolhimento parcial dos produtos ocorreu em 5 de maio, quando, segundo o MPAL, as mortes já haviam se multiplicado pelo país.
Substâncias tóxicas


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Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a ração continha elementos altamente tóxicos, como a monocrotalina e o alcaloide pirrolizidínico, encontrados em plantas do gênero Crotalaria.
Conforme a apuração, essas substâncias chegaram à produção da Nutratta por meio de resíduo de soja contaminado, insumo proibido para alimentação animal
Durante uma inspeção, também foram constatados armazenamento inadequado de matérias-primas, ausência de segregação, mistura de insumos e falta de pesagem individualizada na produção.
Conhecimento da contaminação
O promotor Ary Lages afirmou que os autos indicam que os administradores da empresa tinham conhecimento da contaminação e, mesmo assim, continuaram fornecendo os produtos.
Segundo ele, a própria gerente de produção teria afirmado, em depoimento, que eram apresentadas informações falsas em notas técnicas.
O MPAL também aponta que, em 20 de maio de 2025, um dos gestores da Nutratta declarou publicamente que o problema estaria sanado. Para o Ministério Público, a declaração teria induzido clientes a continuar consumindo o produto.
Além dos 80 cavalos mortos no Haras Nova Alcatéia, em Atalaia, foram registradas, segundo o MPAL, pelo menos outras 284 mortes de cavalos em vários estados do país.
Para o Ministério Público, os denunciados cometeram, em tese, crime ambiental, previsto no artigo 56 da Lei nº 9.605/1998, e crime contra as relações de consumo, previsto no artigo 7º, inciso IX, da Lei nº 8.137/1990.
*Com assessoria
