Após 80 mortes de cavalos em AL, MP pede bloqueio de bens de empresa
Medida envolve empresa, sócio majoritário e administrador investigados

O Ministério Público de Alagoas (MPAL), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Atalaia, denunciou a empresa Nutratta Nutrição Animal Limitada S.A., o sócio majoritário e o administrador operacional/financeiro pelo fornecimento das rações NutriMax e Forragem Horse, apontadas como responsáveis pela intoxicação que matou 80 cavalos da raça Mangalarga Marchador no Haras Nova Alcatéia, em Atalaia.
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Para reparar os danos, o promotor de Justiça Ary Lages Filho pediu o sequestro e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, ativos financeiros e participações societárias da empresa e dos denunciados. O prejuízo para o haras ultrapassa R$ 82,57 milhões.
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Segundo o promotor, vídeos feitos após a intoxicação mostram os animais sofrendo com dores, agitação, cegueira e sangramentos. Laudos, conforme o MPAL, comprovaram a contaminação relacionada à ração e apontaram falência orgânica compatível com intoxicação alimentar.
“Há laudo comprovando a contaminação ocorrida em decorrência da ração oferecida pela Nutratta, o que provocou falência orgânica compatível com intoxicação alimentar”, afirmou Ary Lages.


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Substâncias tóxicas
Os 80 equinos, considerados de elevado valor genético, apresentaram sintomas como letargia, ataxia, marcha em círculos, cegueira, compressão cefálica e insuficiência hepática.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a ração continha elementos altamente tóxicos, como a monocrotalina e o alcaloide pirrolizidínico, encontrados em plantas do gênero Crotalaria. Conforme a apuração, essas substâncias chegaram à produção da Nutratta por meio de resíduo de soja contaminado, insumo proibido para alimentação animal.
Durante a inspeção, também foram constatados armazenamento inadequado de matérias-primas, ausência de segregação, mistura de insumos e falta de pesagem individualizada na produção.
Empresa teria recebido reclamações antes do recolhimento
Segundo os autos, a Nutratta começou a receber reclamações sobre mortes de animais em 24 de abril de 2025, mas teria iniciado as investigações internas quase três semanas depois.
O recolhimento parcial dos produtos ocorreu somente em 5 de maio, quando, segundo o MPAL, as mortes já haviam se multiplicado pelo Brasil.
O promotor Ary Lages afirmou ainda que os autos indicam que administradores da empresa tinham conhecimento da contaminação e, mesmo assim, continuaram fornecendo os produtos. Segundo ele, a própria gerente de produção teria afirmado, em depoimento, que eram apresentadas informações falsas em notas técnicas.
Mortes em outros estados
Além dos 80 cavalos mortos no Haras Nova Alcatéia, em Atalaia, foram registradas, segundo o MPAL, pelo menos outras 284 mortes de cavalos em vários estados do país.
Com a repercussão do caso, um dos gestores da Nutratta declarou publicamente, em 20 de maio de 2025, que o problema estaria sanado. Segundo o MPAL, a declaração teria induzido clientes a continuar consumindo o produto.
Crimes apontados
Para o Ministério Público, os denunciados cometeram, em tese:
- crime ambiental, previsto no artigo 56 da Lei nº 9.605/1998;
- crime contra as relações de consumo, previsto no artigo 7º, inciso IX, da Lei nº 8.137/1990.
O MPAL pede o bloqueio e a indisponibilidade dos bens dos envolvidos como forma de garantir a reparação dos danos.
*Com assessoria
