Alexandre Fleming defende fundo contra analfabetismo e diz que candidatura enfrenta oligarquias em AL
Candidato ao Senado pela UP defende fim da escala 6x1, reforma agrária e mudanças na segurança pública
O candidato ao Senado Alexandre Fleming (UP) afirmou, durante entrevista à TV Gazeta na manhã desta quinta-feira (24), que sua candidatura tem como principal objetivo enfrentar o que chamou de “oligarquias”, grupos que se revezam no comando político de Alagoas, conforme classificou. Fleming também apresentou propostas para combater o analfabetismo, reduzir desigualdades sociais, mudar o modelo de segurança pública e ampliar direitos trabalhistas.
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Logo no início da entrevista, o candidato manifestou solidariedade aos jornalistas e profissionais da comunicação que, segundo ele, enfrentam dificuldades para exercer um Jornalismo independente durante a campanha eleitoral. Fleming criticou o uso da estrutura jurídica por grupos políticos para acionar veículos de comunicação.
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Ao tratar da disputa eleitoral, afirmou que sua candidatura representa uma alternativa aos grupos familiares que, na avaliação dele, controlam a política alagoana há cerca de duas décadas.

Uma das principais propostas apresentadas por Fleming é a criação de um fundo estadual voltado à erradicação do analfabetismo. A meta, segundo ele, seria reduzir o índice de 13,1% para 3% até 2030.


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O candidato afirmou que o percentual de pessoas analfabetas no Estado representa mais de 300 mil pessoas. A proposta prevê a participação de universidades, institutos federais, movimentos sociais e organizações estudantis.
Fleming citou a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal) como instituições que poderiam participar do programa, aproveitando a expansão da rede de ensino pelo interior. Segundo ele, o Ifal possui 16 unidades no Estado e também oferece cursos de licenciatura que podem contribuir para a formação de professores.
Trabalho e fim da escala 6x1
Na área trabalhista, Fleming defendeu o fim da escala 6x1, com garantia de dois dias de descanso por semana e manutenção dos salários.
O candidato afirmou que pesquisas apontam apoio da maioria da população à redução da jornada e disse que pretende levar o debate ao Senado em diálogo com trabalhadores e também com o setor empresarial.
Fleming afirmou que pretende utilizar o mandato como uma “tribuna na luta do povo” e defendeu maior organização da classe trabalhadora para reivindicar seus interesses.

Críticas ao modelo econômico
O candidato também criticou a concentração de renda e a estrutura fundiária de Alagoas. Segundo Fleming, 92% da população recebe menos de R$ 5 mil mensais e o Estado possui apenas cerca de 441 mil postos de trabalho.
Ele defendeu a agricultura familiar, a reforma agrária e o fortalecimento dos movimentos sociais ligados à questão da terra. Também questionou incentivos fiscais concedidos a empresas quando, segundo ele, não há contrapartida suficiente na geração de empregos.
Fleming afirmou ainda que o agronegócio concentra uma área de terras superior à utilizada pela agricultura familiar e defendeu uma mudança no modelo econômico do Estado.
Auditoria da dívida e Previdência
Entre as prioridades de um eventual mandato, o candidato citou a realização de uma auditoria da dívida pública de Alagoas. Segundo Fleming, é necessário ampliar a transparência sobre as finanças estaduais e investigar como os recursos públicos são administrados.
Ele também afirmou que uma das primeiras pautas de seu mandato seria discutir mudanças na reforma da Previdência, que, em sua avaliação, retirou direitos dos trabalhadores.
Ao abordar a gestão dos recursos previdenciários, citou o Banco Master e defendeu que o dinheiro dos aposentados seja protegido e administrado com critérios de segurança e transparência.
Segurança pública
Na segurança, Fleming defendeu uma mudança no modelo adotado pelo Estado. A proposta, segundo ele, é construir uma política mais humanizada, especialmente em relação à população negra e periférica.
O candidato afirmou que pessoas pretas são mais atingidas pela violência e defendeu que o Estado reveja sua política de segurança para combater desigualdades e evitar que moradores de áreas periféricas sejam tratados previamente como criminosos.
Braskem e bairros afetados
Outro tema abordado foi o afundamento do solo em bairros de Maceió provocado pela atividade de mineração da Braskem.
Fleming afirmou que pretende levar ao Senado a discussão sobre a destinação das áreas afetadas e defendeu a restauração dos cinco bairros atingidos.
Depois da recuperação da região, o candidato propôs que os terrenos sejam colocados à disposição da população para a criação de espaços públicos, como praças e parques, diante da falta de áreas de lazer na capital.

Povos indígenas e quilombolas
Fleming também incluiu entre suas pautas a defesa dos povos indígenas e quilombolas. Ele citou a história do povo Caeté e afirmou que os povos tradicionais precisam ter políticas públicas específicas e respeito à relação histórica que mantêm com seus territórios.
Para a juventude, defendeu investimentos em qualificação profissional, mas criticou a falta de capacidade do mercado alagoano para absorver jovens formados em cursos técnicos.
STF e indicação de autoridades
Sobre o Supremo Tribunal Federal, Fleming defendeu que ministros tenham mandatos fixos e que as indicações observem critérios de gênero e raça.
Ele afirmou ainda que o impeachment de ministros do STF já está previsto na Constituição e que deve ser aplicado quando houver crime de responsabilidade comprovado.
Fleming definiu sua campanha como uma disputa contra as oligarquias políticas, o bolsonarismo, a direita e a extrema direita.
