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Pastor faz previsões sem respaldo científico sobre Super El Niño

Falas no Flow Podcast analisadas pelo Comprova exibem diversas declarações polêmicas e contraditórias.


				Pastor faz previsões sem respaldo científico sobre Super El Niño
— Foto: Reprodução

Em um post viral, o pastor, psicólogo e palestrante Alex Alves faz afirmações fantasiosas sobre o Super El Niño no Brasil. Como afirmam cientistas e estudos consultados pelo Comprova, ele errou ao dizer que teríamos, em setembro, "25 dias antes de uma catástrofe geral na parte Sul e uma seca gigante pegando de São Paulo para cima, saindo pelo Centro-Oeste, Norte e Nordeste", e que haveria uma anomalia eletromagnética sobre o Sul do país. As afirmações foram dadas em entrevista ao Flow Podcast, no dia 24 de agosto.

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O Comprova baseou-se em estudos científicos para desmistificar as declarações de Alves ao Flow Podcast, que foram recortadas e citadas em um vídeo curto de um usuário no TikTok. O conteúdo obteve mais de meio milhão de visualizações, antes de ser apagado da plataforma.

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Super El Niño existe? É catastrófico?

O El Niño é um fenômeno climático natural que geralmente ocorre a cada dois a sete anos. Ele é caracterizado por um aquecimento superior a 2°C em relação à média histórica das águas superficiais do Oceano Pacífico na região da linha do Equador. Em setembro, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), emitiu um alerta sobre a probabilidade de intensificação do evento em 2026, que passou a ser chamado de Super El Niño.

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Werton Costa, climatologista e diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, aponta as declarações de Alex Alves como bastante contraditórias, embora reconheça que é fato que o El Niño está se intensificando no país e potencializando chuvas na região Sul, assim como a seca no Nordeste. Segundo Costa, nenhuma catástrofe é provocada por um fenômeno natural - antes é resultado de um fenômeno social, que inclui desigualdades e a ocupação desordenada do solo.

Após entrevistar diversos especialistas, o Estadão Verifica também apontou que a interferência humana está relacionada à intensidade do fenômeno. O desmatamento e a queima contínua de combustíveis fósseis, que liberam gases de efeito estufa, contribuem para o aumento da temperatura do planeta.

Outra alegação de Alves no vídeo analisado é sobre um calor intenso, além de tornados e tempestades que causariam uma "polarização de forças e uma anomalia eletromagnética que está sobre o sul", provavelmente uma referência à Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), uma área de campo magnético enfraquecido que pode afetar satélites e missões espaciais sobre a América do Sul e o Atlântico, mas que não tem qualquer relação com o El Niño.

Um estudo publicado em maio na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences" apontou que o fenômeno, que pode ter se originado no Oceano Índico por volta do ano 1100, atravessou a África e migrou para o oeste até chegar à América do Sul, segundo reportagem do site G1. A explicação mais provável para o fenômeno envolve a interação entre o núcleo externo do planeta e as estruturas do manto terrestre, que geram mudanças lentas no campo magnético ao longo de milênios.

Livro de Enoque e armas apocalípticas

No vídeo, Alex Alves afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem interesse em áreas como Patagônia e Malvinas por estarem próximas da Antártida. A afirmação é baseada nas teorias relacionadas ao Livro de Enoque, texto que não foi incluído no cânone da Bíblia judaico-cristã. Segundo interpretações do livro, gigantes estariam aprisionados em regiões descritas como "câmaras de frio", que poderiam corresponder à Antártida. O texto apócrifo não menciona explicitamente a região, e os estudiosos não interpretam as passagens como uma descrição de uma localização sob o gelo.

Alves também menciona que Trump, antes de ganhar as eleições em 2024, teria dito que precisava vencer o pleito para poder evitar o uso de armas mágicas (apocalípticas) de destruição em massa no país. O Comprova não encontrou notícias que citam tais declarações.

O climatologista Werton Costa critica as declarações de Alex Alves sobre temas geopolíticos no Flow Podcast. "Existe uma fantasia escandalosa construída por ele que não tem respaldo científico. O El Niño é um fenômeno natural; não existe nenhuma ameaça territorial nem invasão relacionada a ele".

AMOC e o peixe do fim do mundo

No vídeo, Alex Alves afirma que a corrente oceânica AMOC (sigla em inglês para Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico, que transporta calor dos trópicos para o Atlântico Norte) "trouxe aquele peixinho do fim do mundo", cujo tamanho cresceu até se tornar "um monstro". A fala faz referência ao peixe-remo (Regalecus glesne), que vive em grandes profundidades (de 200 a 1.000 metros) e raramente é visto na superfície.

A presença desses peixes pode estar relacionada a mudanças nas correntes oceânicas, a problemas de saúde dos peixes (que os deixam desorientados) ou a alterações na temperatura da água, mas não é exclusiva da AMOC. O peixe está frequentemente associado a teorias conspiratórias e lendas, conforme reportagem do Estadão, como no Japão, que associa abalos sísmicos ao aparecimento desses peixes.

Apesar da associação, um estudo publicado no Bulletin of the Seismological Society of America apontou que não há correlação entre os eventos e o ressurgimento dos "peixes do fim do mundo".

Leia matéria completa em Terra

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