Fiasco tecnológico

O que deveria ser referência em inovação, polos do governo não funcionam, e o de Jaraguá nem recorreu à sustentabilidade pela energia solar

Ele surgiu com a ideia de se criar uma nova agenda econômica para o Estado. Numa ação bem sucedida, bancada pelo governo, nasceu uma nova política pública para o setor de tecnologia da informação e comunicação.

E assim vem se desenvolvendo um dos melhores parques tecnológicos para a expansão da inovação, sendo já considerado o mais famoso do Nordeste. Trata-se do Porto Digital, localizado no Recife, que abriga mais de 250 empresas e “startups” ligadas à tecnologia e economia criativa, responsáveis pela geração de mais de sete mil empregos.

Se há algo em comum com Alagoas? Apenas a coincidência do ano da implantação, 2000. Enquanto, em Pernambuco, nascia o Porto Digital, por aqui surgia a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado.

Quanto aos polos tecnológicos, tão festejados pelo governo Renan Filho, eles na verdade se converteram em fiasco pelo abandono sofrido. Não passou de intenção, documentada em letra morta num programa de governo, que se limitou ao papel. Basta passar o olho no capítulo referente à ciência, tecnologia e inovação, com o engodo da estruturação do Polo de Jaraguá, como também a viabilização de pesquisas aplicadas em Arapiraca e Batalha.

A construção do Polo Tecnológico de Jaraguá consumiu 18 milhões e levou dez anos para ser concluído. Vendida no instagram governamental como uma ferramenta para acelerar o desenvolvimento de “startups” - empresas que baseiam seu modelo de negócio em tecnologia digital -, o Polo nem sequer saiu de sua fase embrionária.

Até a construção do Polo de Jaraguá chegou a ser alvo de críticas, pois o abastecimento energético do empreendimento poderia ter inovado com o sistema solar, e assim aplicar o conceito de sustentabilidade e economia no uso do espaço prometido à inovação.

Quanto aos de Arapiraca e Batalha, a reportagem da Gazeta já havia registrado o abandono desde 2019. A recente apuração jornalística só reafirma o descaso pelo qual o governo do Estado tratou a ciência e tecnologia nos últimos tempos.

É triste constatar que a energia eólica posiciona Alagoas na orfandade regional, sendo o único Estado do Nordeste desprovido de parque instalado, apesar de possuir áreas propícias para geração de energia nessa modalidade, como apontam os estudos.

O drama da pandemia demonstrou como é importante aproveitar o potencial da ciência e tecnologia em benefício das pessoas. Em Alagoas, o governo não economizou recursos para propalar supostos avanços no campo da inovação, mesmo não oferecendo aos nossos estudantes da rede estadual a justa e digna possibilidade de se conectar para o estudo remoto.