Conhecido como 'Cego do Centro', Edmilson Mendes lança hoje seu primeiro CD

Primeiro álbum do artista de rua será lançado nesta sexta-feira (26), em evento no Café do Teatro Deodoro; a entrada é gratuita

Em meio ao corre corre do Centro de Maceió, mais precisamente na Rua do Livramento, os maceioenses já estão habituados a encontrá-lo. É lá o local de trabalho do artista de rua Edmilson Mendes, mais conhecido como o "Cego do Centro". Ele lança, nesta sexta-feira (26), aos 57 anos, o seu primeiro CD, intitulado "Janela para o Mundo".

O show de lançamento ocorre às 18h, no Café da Linda, localizado no Teatro Deodoro, e terá a participação especial de Zeza do Coco e Fagner Dübrown. A entrada é gratuita.

“No CD, Edmilson faz uma incursão pela cultura popular. É um trabalho maravilhoso, vale conferir. O título envolve uma antiga paixão, o rádio. Desde criança, o rádio era a sua “Janela para o mundo”. Hoje, Edmilson tem sua própria rádio em casa, de onde ele apresenta um programa diário, às noites. Agora, suas músicas farão parte da programação da rádio. Sempre foi seu desejo lançar um CD e ser reconhecido enquanto artista. Que “Janelas para o Mundo” abram portas e janelas para ele, e que venha o merecido reconhecimento”, disse Christiano Barros, produtor executivo.

O álbum foi possível graças ao Prêmio Zailton Sarmento, financiado pela Lei Aldir Blanc, que possibilitou pagar o estúdio, e da contribuição de 41 pessoas que fizeram doação pela plataforma Vakinha, possibilitando a prensagem dos CDs.

No CD estão as músicas: A Farinhada (Mácleim Damasceno); Casamento do Pobre (Edmilson Mendes); Guerreiro Alagoano (Domínio público); Meia Noite (Edmilson Mendes); Moça Namoradeira (Edmilson Mendes); Maceió (Lourival Passos); Serra de Goiana (Edmilson Mendes); e Não Beba Aguardente (Domínio público).

A produção executiva é de Christiano Barros e a produção musical de Wilson Santos. Músicos convidados: Xameguinho (Sanfona), Gama Junior (Flautas) e Wilson Santos (Percussão e vocal). Vocal: Zeza do Coco, Maysa Gomes, e Caio Odé.

O lançamento foi gravado, mixado e masterizado por Dácio Messias no estúdio Concha Acústica (maio a julho de 2021). A arte de capa é do Pai da Mata e o projeto gráfico de Ábia Marpin.

O lançamento foi gravado, mixado e masterizado por Dácio Messias no estúdio Concha Acústica (maio a julho de 2021). A arte de capa é do Pai da Mata e o projeto gráfico de Ábia Marpin.

O CEGO DO CENTRO

Artista encontrou na rua e na música um meio de enfrentar as dificuldades - Foto: Divulgação

Edmilson Mendes mora na comunidade Frei Damião, no Benedito Bentes, é casado e tem três filhos. Conhecido como o Cego do Centro, nasceu no interior de Pernambuco, mas se considera alagoano. Ficou cego quando tinha poucos meses de vida e foi rejeitado pelo pai. Durante a infância, foi vítima de agressão do padrasto. Fugiu de casa, foi cantar na feira de diversos municípios para sobreviver com o que ganhava na feira, ajudava no sustento da sua mãe e dos seus 6 irmãos.

Chegou aqui em Maceió aos 12 anos de idade, a única coisa que possuía era um velho pandeiro. Teve que aprender a se virar sozinho, morou em um abrigo para menores e estudou na Escola de Cegos Cyro Accioly. Na música, encontrou uma forma de vencer a miséria. Iniciou o seu trabalho como artista de rua na Praça Bonfim, foi lá o seu primeiro palco na capital, em seguida foi para a antiga rodoviária de Maceió, no bairro do Poço. Depois, foi para o Centro de Maceió, onde permanece até hoje.

No início de seu trabalho como artista de rua, foi hostilizado e agredido pelos comerciantes da Rua do Livramento que se incomodavam com a sua presença. Com insistência, conseguiu se estabelecer na localidade e há mais de 40 anos torna aquele ponto de Maceió mais vivo e alegre com a sua arte. Hoje, possui uma legião de admiradores, pessoas que passam pela Rua do Livramento.

O seu primeiro contato com a música ocorreu ainda quando criança, em São Bento do Una, agreste pernambucano, ouvindo as rádios-postes - bocas de som penduradas em postes, comuns no interior do Nordeste. Era através delas que aprendia as músicas para tocar na feira do município. Depois, conheceu o rádio portátil e ficou encantado. Atualmente, ele vive o sonho de apresentar seu programa diário na própria rádio.