Cineastas Alagoanos classificam tema da redação do Enem como "importante"
Rafhael Barbosa e Maysa Reis comentaram sobre as suas perspectivas a respeito da redação deste ano; tema foi reconhecido como ferramenta pedagógica
A Democratização do acesso ao cinema no Brasil foi o tema escolhido para prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, ocorrida em todo o Brasil nesse domingo (3). Em Alagoas, Diversos profissionais da área repercutiram a escolha do argumento, classificando-o como "importante" para os dias atuais.
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Para Rafhael Barbosa, cineasta alagoano, falar sobre a democratização da sétima arte durante os ataques promovidos pela gestão executiva nacional de Jair Bolsonaro é uma escolha "sensível" e "inteligente".
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"A escolha do tema foi muito sensível e inteligente. Primeiro porque fala em democratizar o acesso à cultura, num momento em que tanto o conceito de democracia, quanto o de cultura, têm sido sistematicamente atacados pelo governo federal. Foi também um atestado de liberdade do INEP, que não cedeu à interferência ideológica do MEC", disse.
Para o artista, que disse ter vivido a maior parte de sua adolescência no município de Arapiraca, sem ter acesso a salas de cinema na localidade, conviver nos dias de hoje com diversas oportunidades de acesso à arte é fundamental para a democracia.


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"Democratizar o acesso ao cinema é permitir que milhões de pessoas tenham oportunidade de vivenciar uma experiência que é banal e cotidiana para uma pequena parcela da população brasileira. O cinema brasileiro vive hoje o melhor momento de sua história, gozando de reconhecimento e respeito internacional inéditos", comentou.
A cineasta e pesquisadora Maysa Reis também conversou com aGazetawebsobre as suas perspectivas acerca do tema, e destacou a importância pedagógica de sua escolha, classificando-a como uma pauta importante para debates nas escolas.
"O tema da redação sempre vira pauta de discussão nas escolas e eu acredito muito no cinema como uma ferramenta pedagógica. Então, defender a democratização e o acesso levanta uma ótima pauta para se debater dentro da sala de aula. É um tema importante", pontua.

Questionada sobre quais teriam sido os seus argumentos escritos na redação da prova deste ano, Maysa disse que teria destacado o escasso acesso do cinema para pessoas periféricas.
"Eu falaria da falência dos cinemas nos bairros, a falência do cinema nas periferias, porque é quase inexistente. Muitas pessoas periféricas não assistem ao cinema. As pessoas acham que o cinema brasileiro é só o "auto da compadecida", e não é".
"O cinema não é uma coisa fútil, não é uma bobagem. Vi muitos comentários das pessoas questionando o porquê de se discutir cinema, mas o cinema é uma ferramenta histórica. Democratizar o seu acesso é fazer uma sociedade justa, mais plural", completou.
Contudo, em sua opinião, o cinema ainda está longe de ser considerado uma arte democratizada, especialmente para as mulheres.
"Não acho que existe uma democratização do cinema, como mulher principalmente. Isso ainda está longe da nossa realidade. Não há uma democratização, acho que a grande questão da redação também é essa", disse a cineasta.
