Corpo em mata, tiro na cabeça e ex preso: o que a polícia já sabe sobre sequestro e assassinato de jovem
Polícia passou a investigar homicídio qualificado após localizar corpo com marca de tiro
O corpo de Gleice de Assis Ferreira, de 22 anos, foi encontrado nesta quarta-feira (7), uma semana após ela ter sido levada à força de dentro de casa, no Conjunto Parque dos Caetés, no Benedito Bentes, em Maceió. A Polícia Civil confirmou que o cadáver estava em uma área privada, próxima a um lixão, e apresentava um ferimento provocado por arma de fogo na cabeça.
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Gleice faria 23 anos nesta quarta-feira. O corpo estava em avançado estado de decomposição e foi localizado em uma fazenda. Segundo a polícia, as roupas encontradas no cadáver são semelhantes às usadas pela jovem no dia em que desapareceu. Uma tatuagem no braço também foi identificada. A confirmação oficial da identidade, no entanto, ainda será feita pelo Instituto Médico Legal (IML).
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A investigação, conduzida pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), começou sendo tratada como sequestro. Com a localização do corpo e os indícios de que Gleice foi executada, a polícia passou a considerar o caso como homicídio qualificado, com ocultação de cadáver.
Tiro na cabeça


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De acordo com o delegado João Marcello, que participa da investigação, o corpo foi localizado após a polícia receber informações sobre o possível paradeiro da vítima. Buscas já haviam sido realizadas na noite dessa terça-feira (6), mas o cadáver não havia sido encontrado.
Na manhã desta quarta, uma nova equipe retornou à área e conseguiu localizar o corpo. Durante a análise inicial, os policiais identificaram visualmente um orifício provocado por projétil de arma de fogo no crânio.
A polícia ainda não sabe se Gleice foi morta no local onde o corpo foi encontrado ou se foi levada para lá depois de já estar morta. Nenhuma cápsula de munição foi localizada na área.

Quatro homens levaram Gleice de casa
As investigações apontam que quatro homens encapuzados e armados invadiram o apartamento onde Gleice estava. Segundo os depoimentos colhidos pela polícia, ela teria sido agredida com uma pancada na cabeça e levada desacordada.
Uma testemunha que estava no imóvel no momento do crime conseguiu informar aos investigadores quais roupas Gleice usava quando foi retirada da residência. O pai da jovem também esteve no local onde o corpo foi encontrado e reconheceu as vestimentas e a tatuagem.
Ex-companheiro foi preso
Uma pessoa foi presa durante a investigação. Trata-se do ex-companheiro de Gleice, que, segundo a Polícia Civil, negou participação no desaparecimento e na morte.
O delegado afirma, porém, que o homem apresentou contradições em diferentes momentos dos interrogatórios e demonstrou nervosismo durante os depoimentos. Segundo a investigação, também foi possível confirmar que ele fazia ameaças contra Gleice e pessoas ligadas a ela.
A polícia afirma ainda que o suspeito não informou onde o corpo estava e que as declarações dadas por ele foram confrontadas com outros elementos reunidos durante a investigação.
Ex faz parte de facção, diz polícia
Segundo o delegado, o ex-companheiro de Gleice integraria uma facção criminosa responsável pelo tráfico de drogas na região do Planalto, no Benedito Bentes. Conforme a investigação, ele exerceria uma função conhecida como “disciplina”, relacionada à aplicação de punições a pessoas que descumprem ordens da organização.
A polícia trabalha com a hipótese de que Gleice teria sido alvo da facção após retornar ao Conjunto Parque dos Caetés, localidade próxima ao Planalto, mesmo depois de ter sido orientada a deixar a região.
Segundo os investigadores, Gleice trabalhava em um restaurante e tinha um filho. Até o momento, não há indicação de que ela tivesse envolvimento com o tráfico de drogas. A principal linha investigativa é de que a facção teria se sentido desafiada pelo fato de ela não ter obedecido à ordem para deixar a localidade.
Morte do irmão pode ter relação com o caso
A investigação também apura uma possível relação entre o assassinato de Gleice e a morte do irmão dela, ocorrida no ano passado, no bairro Ouro Preto, em Maceió.
Segundo a Polícia Civil, o irmão teria sido ameaçado pela mesma facção e recebeu uma ordem para deixar a região. Como não teria obedecido, acabou assassinado. Após o homicídio, Gleice também teria sido orientada a deixar a localidade.
A polícia investiga se a permanência da jovem na região e o histórico de ameaças estão relacionados ao sequestro e à morte.
Investigação continua
Com a localização do corpo, os investigadores agora tentam identificar os demais envolvidos no crime e esclarecer toda a dinâmica do assassinato, incluindo onde Gleice foi morta e qual teria sido a participação de cada suspeito.
O IML fará a perícia no corpo para confirmar oficialmente a identidade da vítima e determinar outros elementos relacionados à causa da morte.
