Estudo mostra que baratas usam memória coletiva para sobreviver
Um estudo que investigava o nível de resistência das baratas em seus ambientes descobriu que elas possuem memória

Apesar de não conseguirem se lembrar das coisas individualmente, as baratas utilizam a “memória coletiva” – ou seja, um conjunto de lembranças compartilhadas por um grupo – para sobreviver na natureza. A descoberta é de um novo estudo internacional que realizou experimentos com exemplares do inseto.
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Os resultados das investigações, lideradas pelo ecologista Mariano Calvo Martín, da Université Libre de Bruxelles, na Bélgica, foram publicados na revista PLOS One.
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Sabe-se que na natureza as baratas gostam de se abrigar em frestas úmidas e, principalmente, escuras. A fim de analisar como esses insetos eram resistentes às perturbações permanentes em seu tipo de ambiente preferido, os pesquisadores realizaram experimentos com luzes.
Os testes foram feitos com baratas-americanas (Periplaneta americana), uma das espécies urbanas mais comuns no Brasil. Os grupos foram alocados em dois abrigos idênticos, mas que recebiam dois tipos de luz diferentes: uma vermelha, que parecia mais escura na visão das baratas, e uma verde, que se assemelhava a um ambiente mais claro.


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Como esperado, inicialmente a maioria escolheu os locais de luz avermelhada. Em seguida, os cientistas inverteram as luzes dos abrigos. Para a surpresa dos observadores, grandes grupos do inseto resolveram permanecer no mesmo lugar onde já estavam estabelecidos. Apenas as baratas que estavam sozinhas se mudaram para o ambiente com a luz “ideal”.
Segundo os cientistas, a explicação do fenômeno está na atração social, uma força invisível que faz com que os indivíduos tenham interesse em estabelecer vínculos com a comunidade em que estão inseridos. Assim, mesmo sem ter memória individual, quando uma barata vê um grupo grande parado em um lugar com a luz indesejável, ela se comporta de acordo com a maioria – é a chamada “memória coletiva”.
Em outro passo do estudo, foram criadas baratas virtuais programadas apenas para preferir abrigos mais escuros e permanecer onde as outras já estivessem reunidas. O resultado foi o mesmo visto no teste das luzes: a memória coletiva comandava as ações dos insetos.
“Nossa abordagem teórica revela que as interações sociais e a estrutura do grupo são suficientes para exibir uma memória coletiva”, escreveram os pesquisadores no artigo.
Acredita-se que a memória coletiva esteja presente em outros grupos de animais, como formigas, peixes e pássaros. Porém, ainda são necessários mais estudos para compreender melhor a abrangência desse fenômeno.
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