Cenipa aponta falhas antes da queda de avião que matou empresário: 'não deveria ter decolado'
Relatório final indica problemas no sistema de degelo e ausência de registros técnicos antes do acidente

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou falhas técnicas e procedimentos que contribuíram para a queda do avião da Voepass, em agosto de 2024, acidente que matou 62 pessoas, dentre elas o empresário e representante comercial Ronaldo Cavaliere, de 43 anos, morador de Maceió.
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Segundo o Cenipa, a aeronave não deveria ter decolado nas condições em que operou. Os investigadores concluíram que problemas no sistema de degelo e falhas de registro das ocorrências técnicas impediram que medidas preventivas fossem adotadas antes do voo.
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Natural de Mogi das Cruzes (SP), Ronaldo Cavaliere vivia no bairro da Jatiúca, em Maceió, deixou um filho e viajava a trabalho. Ele embarcou em Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), onde participaria de uma convenção da empresa em que trabalhava.
De acordo com a investigação, a aeronave já havia apresentado falhas relacionadas ao sistema de detecção de gelo em voos anteriores ao acidente. No entanto, os problemas não foram registrados oficialmente no diário de bordo, documento utilizado para orientar as equipes de manutenção.


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O Cenipa informou que, no voo entre Guarulhos e Ribeirão Preto, realizado na véspera da tragédia, a tripulação identificou uma falha no sistema de detecção de gelo e comunicou a ocorrência verbalmente à manutenção. O problema, porém, não foi incluído no registro técnico da aeronave.

No voo que terminou no acidente, entre Cascavel e Guarulhos, houve novamente indicação de formação de gelo. O sistema de degelo das asas foi acionado, mas apresentou falha durante a operação.
O relatório também registrou alertas de perda de desempenho, baixa velocidade de cruzeiro e acionamentos dos sistemas de proteção contra estol, mecanismo que alerta os pilotos quando a aeronave se aproxima de uma situação de perda de sustentação.
O acidente aconteceu no dia 9 de agosto de 2024, quando o voo 2283 da Voepass caiu em um condomínio residencial em Vinhedo (SP). Todas as 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — morreram. Nenhum morador do local ficou ferido.
Com a divulgação do relatório final, o Cenipa encerrou a investigação voltada à prevenção de acidentes aeronáuticos. O órgão destacou que o documento não aponta responsabilidades civis ou criminais, mas identifica fatores que contribuíram para a ocorrência e apresenta recomendações de segurança.
