O custo psicológico da autocobrança
Autocobrança deixa de ser saudável quando transformamos qualquer erro em prova de incapacidade

Vivemos em uma época em que ser exigente consigo mesmo costuma ser visto como uma qualidade. A disciplina é admirada, a produtividade é valorizada e a capacidade de dar conta de tudo frequentemente é tratada como um ideal. O problema é que existe uma diferença importante entre responsabilidade e autocobrança excessiva.
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A autocobrança deixa de ser saudável quando transformamos qualquer erro em prova de incapacidade. Quando acreditamos que deveríamos saber tudo, acertar sempre e não falhar nunca. Curiosamente, muitas pessoas conseguem ser compreensivas com os erros dos outros, mas extremamente duras com os próprios. Se um amigo falha, chamamos de aprendizado. Se nós falhamos, chamamos de fracasso.
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É justamente aí que mora um dos maiores custos psicológicos da autocobrança. Quem acredita que não pode errar passa a viver sob constante vigilância. Cada decisão se torna um teste, cada falha uma ameaça e cada resultado uma medida do próprio valor.
Com o tempo, essa lógica favorece ansiedade, culpa, exaustão emocional e uma sensação persistente de insuficiência. Nada parece suficiente. Nenhuma conquista parece grande o bastante. A busca pela perfeição se torna interminável.


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Nesse processo, a terapia pode ser uma importante aliada. Não para eliminar falhas ou inseguranças, mas para compreender por que somos tão duros conosco e por que exigimos de nós uma perfeição que não esperamos de ninguém.
A autocobrança excessiva promete excelência, mas frequentemente entrega sofrimento. Talvez a verdadeira saúde mental não esteja em exigir perfeição de si mesmo, mas em desenvolver a mesma compreensão que oferecemos aos outros quando eles estão aprendendo.
Thainan Amaral do Prado
Farmacêutica e Psicanalista Clínica
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
