Muito além do diagnóstico
Depressão não é sinônimo de fraqueza, falta de fé ou ausência de vontade

Quando me imaginei escrevendo artigo, pensei em qual assunto deveria abordar primeiro. Poderia falar sobre doenças, exames ou tratamentos. Mas percebi que, antes de qualquer diagnóstico, existe algo que considero essencial: enxergar o ser humano.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Sou médica generalista, natural de Pontes e Lacerda (MT), formada pelo Centro Universitário de Várzea Grande (UNIVAG) e atualmente atuo em Cuiabá em uma clínica. Ao longo da minha trajetória, compreendi que a medicina vai muito além da prescrição de medicamentos. Cuidar é ouvir, acolher e compreender que cada pessoa carrega uma história que nenhum exame é capaz de revelar.
Leia também
Por isso, escolhi iniciar este texto falando sobre a depressão e o luto, duas experiências humanas que, embora diferentes, frequentemente caminham lado a lado.
A depressão não é sinônimo de fraqueza, falta de fé ou ausência de vontade. Trata-se de uma doença que altera a forma como a pessoa sente, pensa e vive. Ela pode retirar o prazer das atividades mais simples, diminuir a energia, comprometer o sono, o apetite e fazer com que a esperança pareça distante.


Servidores cobram da PF apuração sobre perdas de recurso do Iprev Maceió

Governo inaugura ponte na zona rural de São José da Tapera

Renan Filho volta a defender projeto coletivo e união de forças para futura chapa

Em discurso, senador Renan critica gestão anterior à do filho no governo de Alagoas
Nenhum diagnóstico deve ser feito de maneira precipitada. É necessário avaliar a saúde física, investigar possíveis alterações metabólicas, conhecer a história do paciente, compreender seu ambiente familiar, profissional e emocional. Cada detalhe importa.
Na minha prática médica, gosto de olhar para o paciente de forma integral. O corpo precisa de cuidados por meio da alimentação, da atividade física, do descanso e, quando necessário, do tratamento medicamentoso.
As emoções também precisam ser acolhidas, pois muitas pessoas deixam de reconhecer a si mesmas durante a doença, perdendo o interesse daquilo que antes lhes trazia alegria.
Existe ainda uma dimensão que considero importante: a espiritualidade. Para muitas pessoas, inclusive para mim, a fé representa uma fonte de esperança e fortalecimento nos momentos mais difíceis. Como cristã, encontro inspiração nos ensinamentos de Jesus. Entretanto, compreendo e respeito que cada paciente possui sua própria caminhada espiritual. Meu compromisso é acolher cada pessoa com respeito, independentemente de suas crenças.
Outro tema que merece nossa reflexão é o luto.
Vivemos em uma sociedade que nos ensina a celebrar os começos, mas pouco fala sobre as despedidas. Perder alguém que amamos transforma profundamente nossa vida. O luto não tem prazo e não segue um roteiro igual para todos.
As datas comemorativas, uma música, um perfume ou uma refeição podem despertar lembranças intensas. Isso não significa que a pessoa esteja retrocedendo. Significa apenas que o amor continua existindo.
Costumo dizer aos meus pacientes que seguir em frente não é esquecer. É aprender a caminhar levando consigo as boas memórias, transformando a saudade em uma expressão do amor vivido.
A medicina moderna oferece recursos extraordinários, mas nenhum deles substitui uma escuta atenta, um olhar compassivo e o respeito pela história de cada ser humano.
Neste artigo, meu propósito será justamente esse: conversar sobre saúde de forma acessível, baseada na ciência, sem perder aquilo que considero indispensável em qualquer atendimento: a empatia, o respeito e a esperança. Porque, antes de tratar doenças, cuidamos de pessoas.
Frase Final: Mesmo com dor, você precisa continuar. A tristeza não nos impede de seguir em frente, ela apenas torna o voo mais silencioso, mais maduro.
Dra. Ana Claudia Mendes Barbosa
Médica Generalista – CRM-MT 16.771
Cuiabá Clinica Liderme
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
