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Miss trans da Copa diz que título da Arábia Saudita é um ato de provocação e afronta

A miss lembra que pessoas LGBTQIA+ ainda enfrentam fortes restrições e falta de reconhecimento legal na Arábia Saudita


				Miss trans da Copa diz que título da Arábia Saudita é um ato de provocação e afronta
Ricardo Sakai / Divulgação

Primeira modelo trans a representar a Arábia Saudita no Miss Copa do Mundo, Bruna Mendonça afirma que aceitou o título por um motivo que vai muito além da beleza. Para ela, desfilar com a faixa de um dos países mais restritivos do mundo em relação aos direitos LGBTQIA+ é uma forma de provocar uma reflexão sobre diversidade, respeito e preconceito.

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Bruna conta que a escolha foi de fato intencional. “É uma provocação, sim. Uma afronta, inclusive. Não contra o povo de lá, mas contra qualquer país que tente dizer quem pode ou não existir. A minha simples presença já questiona muita coisa. A minha existência já incomoda, sei disso e não tenho medo. Quero gerar discussão”, assume.

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A miss lembra que pessoas LGBTQIA+ ainda enfrentam fortes restrições e falta de reconhecimento legal na Arábia Saudita. “Tem gente que olha para essa faixa e pensa que ela não combina comigo. É justamente por isso que ela faz sentido. Eu represento tudo aquilo que muitos gostariam que permanecesse invisível. Trouxe uma discussão, uma pauta importante para o concurso”.

Bruna afirma, no entanto, que sua participação não tem como objetivo desrespeitar a cultura ou a religião de nenhum país. “Não é deboche. Estou usando um concurso livre para lembrar que pessoas trans existem em qualquer lugar do mundo, mesmo onde tentam nos apagar".

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A modelo também rebateu uma crítica comum a mulheres trans em concursos de beleza: a ideia de que ocupam o espaço de mulheres cis. “Eu nunca quis tomar o lugar de mulher nenhuma. Sou uma mulher trans e sempre serei. Tenho orgulho da minha história e jamais tentei apagar a história de outra mulher".

Segundo Bruna, essa narrativa vem justamente por quem rejeita a existência de pessoas trans. “Criaram essa história de que mulheres trans querem substituir mulheres cis. Isso nunca foi verdade. Eu respeito profundamente o espaço, as lutas e as conquistas das mulheres. O que eu quero é que respeitem a minha também. Trans sempre vai ser trans e ponto final”.

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