
Passada a vitória do Brasil por 3 a 0 sobre o Haiti, uma das discussões que dominou a noite foi a ausência de Endrick entre os titulares.
A pergunta é válida. Mas talvez ela tenha desviado o olhar da principal notícia deixada pela Seleção.
Vinicius Junior.
Enquanto parte do debate se concentrava em quem ficou no banco, o camisa 7 fez exatamente aquilo que o transformou em um dos melhores jogadores do mundo no Real Madrid: decidiu o jogo.
Participou diretamente de dois gols, deu assistência para Matheus Cunha e esteve na origem da jogada do primeiro. Mas sua atuação foi além dos números.
Foi o jogador que acelerou ataques, atacou espaços e gerou desequilíbrios. Quando a bola chegava aos seus pés, a sensação era de que algo poderia acontecer.
Talvez este seja um dos primeiros efeitos da chegada de Carlo Ancelotti.

Ninguém conhece melhor Vinicius no futebol mundial do que o treinador italiano. Foi sob seu comando que o brasileiro alcançou o mais alto nível da carreira. E não parece coincidência que a Seleção comece a reproduzir movimentos que potencializam suas principais características.
Matheus Cunha recua, associa e abre espaços. Vinicius ataca profundidade. A mecânica é simples. A execução nem tanto.
É evidente que o Haiti não oferece o grau de dificuldade que o Brasil encontrará adiante. O próprio jogo deixou um alerta importante: a Seleção precisou de 23 minutos para acertar sua primeira finalização no alvo. Ela virou gol. Contra adversários mais fortes, essa margem de espera pode não existir.
Mas a atuação deixou uma impressão relevante.
Pela primeira vez em muito tempo, Vinicius Junior parece confortável na Seleção exercendo o papel que desempenha semanalmente no Real Madrid.

O de protagonista.
E se essa tendência continuar, talvez a principal notícia da Copa não seja quem ficou fora da equipe.
Seja quem finalmente assumiu o protagonismo dentro dela.