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HOME > blogs > EDIVALDO JÚNIOR
Imagem ilustrativa da imagem De vilão a aliado, El Niño pode melhorar preços na safra de cana em AL

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Edivaldo Júnior

De vilão a aliado, El Niño pode melhorar preços na safra de cana em AL


				De vilão a aliado, El Niño pode melhorar preços na safra de cana em AL
Edivaldo Júnior

O El Niño, fenômeno climático que costuma preocupar os produtores de cana-de-açúcar de Alagoas pelo risco de estiagem, pode desta vez ajudar o setor sucroenergético. As chuvas que dificultam a colheita no Centro-Sul brasileiro, associadas às preocupações com a produção mundial, impulsionaram as cotações do açúcar na Bolsa de Nova York, que alcançaram o maior patamar em 19 meses.

A recuperação ocorre justamente no início da safra 2026/2027 em Alagoas. Depois de um ciclo marcado por preços internacionais próximos de 14 centavos de dólar por libra-peso, perdas agrícolas e redução da renda dos fornecedores, o setor começa a nova moagem com perspectiva de produzir mais cana e vender açúcar por preços melhores.

No dia 13 de outubro, o contrato de açúcar bruto para março de 2027 chegou a 21,10 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York. No início do mês, o produto já havia ultrapassado a barreira dos 20 centavos, impulsionado pelo excesso de chuvas no Centro-Sul, que interrompe a colheita e dificulta o funcionamento das usinas.

A alta representa uma recuperação expressiva em relação aos preços observados durante a safra passada. Para Alagoas, que exporta mais de 70% do açúcar produzido, o movimento é especialmente importante. As cotações internacionais influenciam a receita das usinas e a formação do ATR (Açúcar Total Recuperável), referência para o pagamento da cana aos fornecedores.

Reação chega ao mercado local

Os preços do açúcar também apresentam recuperação em Alagoas. Segundo o indicador Cepea/Esalq, a média da saca de 50 quilos do açúcar cristal passou de R$ 123,54 em junho para R$ 130,99 em setembro, valorização de 6,03% no período.

A média de setembro ficou 3,96% acima da registrada em agosto, de aproximadamente R$ 126 por saca. O movimento indica melhora no mercado local, embora os preços ainda não tenham recuperado todas as perdas acumuladas no ciclo anterior.

A valorização internacional pode contribuir para elevar a remuneração da cana nos próximos meses. O resultado dependerá da manutenção das cotações, do câmbio e das condições de comercialização do açúcar e do etanol.

Moagem cresce 64% em Alagoas

O início da safra também apresenta números positivos no campo. Segundo o Sindaçúcar-AL, as usinas processaram mais de 1,9 milhão de toneladas de cana até 30 de setembro, crescimento de 64,1% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.

Das 14 unidades industriais em operação, 12 aumentaram a moagem. A produção de açúcar até o dia 30 de setembro passou de pouco mais de 70 mil para 145 mil toneladas, alta de 105,3% na comparação com igual período da safra anterior. A fabricação de etanol chegou a 38,6 milhões de litros, crescimento de 84,3%.

Parte desse avanço está relacionada ao calendário de moagem, mas as condições agrícolas também melhoraram. Apesar da redução dos volumes de chuva em algumas regiões, a distribuição das precipitações favoreceu os canaviais. O setor projeta uma safra superior a 18,8 milhões de toneladas, com crescimento acima de 6%.

O presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira, já admitiu a possibilidade de superar 19 milhões de toneladas, caso as condições climáticas continuem favoráveis.

A expectativa agora é que a recuperação dos preços internacionais se mantenha ao longo da safra. O El Niño ainda representa risco de estiagem para o Nordeste, mas seus efeitos sobre a produção em outras regiões podem favorecer o mercado do açúcar.

Para Alagoas, depois de uma safra difícil, a combinação de maior produção e preços melhores seria uma mudança importante na remuneração das usinas e dos fornecedores de cana.