Empresa que movimentou mais de R$ 5 mi fez cinco saques em 10 dias, afirma SSP
Transações alertaram órgãos de segurança e levaram à apreensão de R$ 2 milhões em Maceió
As novas informações foram divulgadas nesta segunda-feira (21), durante uma entrevista coletiva da Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) e da Delegacia de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco). Participaram da coletiva o secretário-executivo de Segurança, coronel Patrick Madeiro, e o delegado Igor Diego, titular da Dracco.
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Segundo a SSP-AL, dois homens passaram a ser monitorados pela Polícia Civil de Alagoas (PCAL) após um alerta encaminhado pela Polícia Civil de Sergipe (PCSE) sobre saques de valores considerados vultosos realizados aqui no Estado.
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"De acordo com as informações apresentadas na coletiva, foram cinco saques no período de 10 dias. O primeiro foi de R$ 1 milhão, seguido por outro de R$ 84 mil. Na sequência, foram realizados dois saques de R$ 2 milhões, totalizando R$ 5,084 milhões", relatou o coronel Patrick.
A Polícia Civil investiga a origem e o destino dos valores e busca esclarecer a finalidade das movimentações.


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Monitoramento começou em Sergipe
De acordo com a polícia sergipana, a empresa envolvida é a Ceilurb Ltda., com matriz em Pernambuco. A empresa presta serviços de iluminação pública a algumas cidades do Nordeste, entre elas Maceió.
O monitoramento teve origem em uma investigação conduzida no Estado vizinho, após os proprietários da empresa passarem a ser investigados por contratos firmados com a Prefeitura de Aracaju. Segundo o delegado Igor Diego, os sócios já foram indiciados e denunciados pelo Ministério Público de Sergipe por peculato.
"A investigação em Sergipe já ocorre há alguns anos. Durante as investigações na empresa, foram identificados os saques realizados em Alagoas. A partir do alerta encaminhado pela polícia sergipana, as equipes da Polícia Civil de Alagoas passaram a monitorar os dois homens responsáveis pelas movimentações", informou o delegado Igor.
Funcionários foram abordados com R$ 2 milhões
Na última sexta-feira (18), os dois homens foram abordados por policiais após saírem de uma agência do Banco do Brasil com, aproximadamente, R$ 2 milhões em espécie. Segundo a polícia, eles seguiram até um veículo antes da abordagem.
O dinheiro estava dividido em 20 blocos de R$ 100 mil, em cédulas de R$ 100. Além do valor, foram apreendidos celulares, talões de cheque da empresa e o veículo utilizado pela dupla.
Os dois foram conduzidos à Dracco, onde prestaram depoimento, acompanhados de advogados, e, posteriormente, foram liberados. Eles foram identificados pela polícia como Maurício e Leopoldo. Segundo o coronel Patrick Madeiro, Maurício é gerente da empresa e Leopoldo trabalha com ele.
Dinheiro seria levado para sede em Maceió
Durante os depoimentos, os dois homens afirmaram, segundo a polícia, que realizaram o saque a pedido da dona da empresa. Eles disseram ainda que o dinheiro seria levado para a sede da empresa em Maceió e, em seguida, seria entregue à proprietária.
A mulher, identificada pela polícia como Lady Jane, ainda não foi ouvida pela Polícia Civil de Alagoas. Segundo as autoridades, ela responde, em Sergipe, por investigação relacionada a peculato, crime contra a administração pública.
A polícia informou que representantes da empresa deverão ser chamados para prestar esclarecimentos sobre a origem e a destinação dos valores.
Contratos também serão analisados
Durante a coletiva, a SSP e a Polícia Civil informaram que os contratos firmados pela empresa com a Prefeitura de Maceió entre 2021 e 2026 também serão analisados durante a investigação.
Segundo as autoridades, o levantamento será realizado de forma integrada pelas Polícias Civis de Alagoas e Sergipe. A apuração poderá contar ainda com outros órgãos, caso surjam elementos que indiquem competência para atuação.
A Polícia Civil informou que eventual análise do conteúdo dos celulares apreendidos dependerá de autorização judicial. Os aparelhos serão submetidos à perícia e, se houver necessidade de acesso aos dados, a autoridade policial deverá solicitar autorização à Justiça.
Possível crime eleitoral
A SSP informou ainda que a investigação busca esclarecer se os valores tinham finalidade privada relacionada às atividades da empresa ou se poderiam estar relacionados a alguma prática ilícita.
Por ocorrer durante o período eleitoral, a possibilidade de utilização do dinheiro para fins eleitorais também está entre os pontos que serão apurados. Segundo a SSP, caso surjam elementos de competência da Polícia Federal, o caso poderá ser encaminhado para a instituição.
Os R$ 2 milhões apreendidos serão depositados em uma conta judicial e ficarão à disposição da Justiça. Após a apuração da origem e da destinação dos valores, caberá ao Poder Judiciário determinar as medidas previstas em lei.
A Polícia Civil de Alagoas informou que ainda não há prazo definido para a conclusão do inquérito.
