R$ 2 milhões em espécie, Ceilurb e caixa dois: entenda o embate entre Renan Filho e JHC
Apreensão de dinheiro vivo, contratos públicos e um acordo de R$ 200 milhões entraram no centro da disputa pelo Governo de Alagoas

A apreensão de aproximadamente R$ 2 milhões em espécie, nessa sexta-feira (18), em Maceió, provocou uma troca de acusações entre os candidatos ao Governo de Alagoas Renan Filho (MDB) e JHC (PSDB). Renan apontou compra de votos e caixa dois, enquanto a campanha de JHC classificou as declarações como uma “ilação” e contra-atacou citando contratos da empresa envolvida com o Governo do Estado.
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A apreensão
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A operação foi realizada após informações repassadas pela segurança pública de Sergipe às autoridades alagoanas. Dois homens foram abordados, conduzidos à Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), ouvidos e posteriormente liberados. Eles continuam sob investigação.
Os nomes dos abordados não foram divulgados oficialmente. Os R$ 2 milhões, o veículo utilizado, celulares, documentos e talões de cheque permaneceram apreendidos. A polícia investiga a origem e o destino do dinheiro, a sequência dos saques em espécie e a eventual ocorrência de crime eleitoral.


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O delegado Igor Diego, diretor da Dracco, informou que os dois funcionários declararam em depoimento que trabalham para uma empresa que presta serviços de iluminação pública à Prefeitura de Maceió. O vínculo informado ainda é verificado pela Polícia Civil.
A Ceilurb e os contratos públicos
Segundo autoridades envolvidas na investigação, a empresa citada no caso é a Ceilurb Ltda., antiga Vasconcelos e Santos Ltda., responsável pela gestão do parque de iluminação pública de Maceió.
O contrato original, assinado em 2022, previa R$ 48 milhões para 12 meses. Levantamento realizado a partir do Portal da Transparência de Maceió aponta que a Ceilurb recebeu R$ 320,5 milhões do município entre 2021 e 2026.
Em abril de 2026, um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) reconheceu um passivo municipal de R$ 212,2 milhões. Desse montante, R$ 60,7 milhões, equivalentes a 28,6%, referem-se a diferenças de reajuste sobre processos já pagos. Outros R$ 151,4 milhões, ou 71,4%, correspondem a processos pendentes de pagamento, já com reajuste.
O acordo firmado entre o Município, a Ilumina, a Ceilurb e o Tribunal de Contas do Estado fechou o pagamento em R$ 200 milhões, parcelados em cinco anos.
A acusação de Renan Filho
Em vídeo publicado nas redes sociais neste sábado (19), Renan Filho afirmou que o dinheiro foi apreendido com um representante de uma empresa contratada pela Prefeitura de Maceió. O candidato relacionou o episódio diretamente à disputa eleitoral.
“É muito importante que a Justiça Eleitoral esteja atenta, fiscalize e investigue, porque isso é compra de voto, isso é caixa dois em campanha”, acusou.
Renan também destacou que o TAG foi assinado três dias antes de JHC deixar a Prefeitura de Maceió para concorrer ao governo. “Nesse Termo de Ajustamento de Gestão, o contrato dessa empresa subiu mais de R$ 200 milhões”, declarou.
O candidato ainda associou o episódio ao histórico político da família do adversário. “Esse tipo de prática não dá mais, é o que há de mais velho. O JHC virou sigla para esconder a história de João Caldas, que é o pai dele, mas a prática é a mesma”, afirmou.
A resposta de JHC
Inicialmente, a Prefeitura de Maceió informou que não se manifestaria sobre as declarações. Posteriormente, a campanha de JHC enviou nota à Gazeta, repudiando as acusações e afirmando que Renan tentou vincular a candidatura tucana à ação policial sem apresentar provas.
“A candidatura de JHC repudia, com veemência, a ilação feita pelo candidato Renan Filho. Ele tenta vincular a campanha de JHC a uma ação policial, sem qualquer prova ou indício”, declarou.
Como contra-argumento, a campanha afirmou que a Ceilurb também recebeu R$ 19,8 milhões do Governo de Alagoas durante as gestões de Renan Filho e Paulo Dantas. O valor foi apresentado pela candidatura de JHC, que sustentou que a fornecedora mantém contratos com o Estado.
A coligação Alagoas Gigante também afirmou que Renan e Paulo Dantas foram alvos de operações da Polícia Federal destinadas a investigar suspeitas de corrupção, organização criminosa e fraudes em licitações. A nota citou as operações Correlatos, Florence, Casmurros, Edema, Estágio IV e Ruptura.
“Se alguém deve explicações sobre o uso do dinheiro público em Alagoas, são os Calheiros e seus aliados”, afirmou a coligação.
