
3 a 0 começou a ser escrito muito antes do primeiro gol.
O gramado do Germano Krüger estava pesado, encharcado e com pontos em que a água segurava a bola. Mesmo assim, o CRB rapidamente entendeu o campo, trocou passes e criou a primeira grande oportunidade. Mikael finalizou e Vagner fez ótima defesa.
Então veio o lance capital.
Ángel Torres estava fora para corrigir o equipamento. O quarto árbitro conferiu se estava regular. Só isso. Quem autoriza o retorno é o árbitro central.
E Arthur Gomes Rabelo autorizou.
A bola estava no escanteio do CRB. A defesa afastou, Danielzinho pegou a sobra, finalizou, a bola desviou em Boschilia e virou um lançamento para Ángel Torres, que acabara de receber autorização para entrar justamente naquela região.
Em segundos, uma inferioridade momentânea do Operário virou vantagem.
É aqui que está o problema.
A regra permite o retorno com a bola rolando. Mas permitir não significa escolher qualquer segundo.
O princípio de uma boa gestão de arbitragem é autorizar a entrada sem interferência imediata na jogada e sem proporcionar vantagem injusta.
É exatamente por isso que tantas vezes se vê o jogador esperando na lateral enquanto a bola está próxima e sendo autorizado quando a posse se desloca para o corredor oposto.
Ali aconteceu o contrário.
Ángel entrou praticamente dentro da transição, ganhou campo às costas de Lovat e foi segurado. Vermelho direto.
E apareceu outro detalhe importante: o VAR podia checar se o vermelho estava correto. O que ele não tinha protocolo para fazer era corrigir a decisão anterior do árbitro de autorizar o retorno naquele momento.
Ou seja: podia conferir a consequência, não consertar a origem.
A reclamação direcionada ao quarto árbitro também errou o endereço. Ele informa que o equipamento está regular e auxilia o procedimento. O “pode entrar” é do árbitro.
Com dez desde os nove minutos, Fábio Matias sacrificou Danielzinho, colocou Fábio Alemão e redesenhou o time.
Com a bola, 1-4-2-3, Kevin, Bressan, Alemão e Lyncon atrás; Pedro Castro e Crystopher por dentro; Dadá, Mikael e Thiaguinho mantidos à frente.
Sem ela, os extremos baixavam e o desenho virava 1-4-4-1.
E o CRB continuou competindo.
Durante boa parte do primeiro tempo, não parecia estar com um jogador a menos. Até Moraes Jr. soltar um foguete de fora da área e abrir o placar.
Depois apareceu a conta.
Com um a menos desde o início e os extremos obrigados a atacar e percorrer metros para recompor, o desgaste começou a cobrar.
No segundo gol, Ángel venceu Thiaguinho e Kevin pelo corredor e cruzou. Bressan protegeu o espaço à frente, mas Vinícius Diniz atacou suas costas completamente livre: 2 a 0.
No terceiro, o filme se repetiu.
Berto avançou pelo lado, venceu a marcação e cruzou no segundo poste. Caio Dantas apareceu novamente sem acompanhamento: 3 a 0.
Fábio Matias ainda mexeu, retirou jogadores já desgastados, mas o jogo estava decidido.
Dono do jogo: Moraes Jr.

A arbitragem condicionou a partida. Seria cômodo dizer que explicou o 3 a 0 inteiro. Não explicou.
O CRB também precisa olhar para dois gols sofridos atacando exatamente o mesmo espaço.
Saiu do G6, caiu para oitavo, com 42 pontos.
E terça-feira a conversa muda.
CRB x Sport, 21h, Rei Pelé, confronto direto e véspera de feriado.
Não é noite para procurar culpados nas arquibancadas. É noite para lotá-las.
O CRB perdeu uma posição em Ponta Grossa.
No Rei Pelé, pode recuperar muito mais do que ela.