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HOME > blogs > EDIVALDO JÚNIOR
Imagem ilustrativa da imagem Renan cola com Lula; JHC tenta evitar que Bolsonaro grude nele

BLOG DO
Edivaldo Júnior

Renan cola com Lula; JHC tenta evitar que Bolsonaro grude nele


				Renan cola com Lula; JHC tenta evitar que Bolsonaro grude nele
Reprodução

Não tem nada resolvido. A polarização da política nacional chegou de vez à eleição de Alagoas. Está no guia eleitoral, nas inserções de rádio, nas redes sociais e, aos poucos, começa a ganhar também as ruas. Renan Filho parece confortável nesse ambiente. JHC, nem tanto.

O candidato do MDB decidiu colar sua campanha à de Lula. A imagem do presidente aparece na televisão, no rádio, nas ruas e nas redes, reforçando uma relação que vem desde anteso período em que Renan Filho comandou o Ministério dos Transportes. A presença de Lula em Alagoas, prevista para os próximos dias, deve aumentar ainda mais essa associação.

Do outro lado, a estratégia é diferente. Flávio Bolsonaro já declarou apoio a JHC e que que ex-prefeito de Maceió apoio vai apoiá-lo. A declaração vem sendo usada em peças de rádios da campanha de Renan, que Filho também passou a lembrar no guia que JHC apoiou Jair Bolsonaro na eleição de 2022.

É um fato que JHC não tem como apagar. Naquele ano, em meio à disputa presidencial, ele deixou o PSB, filiou-se ao PL e assumiu apoio à reeleição de Bolsonaro. Quatro anos depois, no entanto, não parece disposto a repetir o gesto.

Em Arapiraca, nesta segunda-feira (7), JHC foi perguntado se apoiaria Flávio Bolsonaro para presidente. Preferiu não responder. “Estamos aqui para cuidar de Alagoas”, desconversou.

A resposta parece mais estratégia do que indecisão. JHC tem bom desempenho entre eleitores identificados com a direita e reúne em sua coligação o PL e nomes ligados ao bolsonarismo. Arthur Lira, candidato ao Senado em sua chapa, também recebeu apoio de Flávio Bolsonaro. Portanto, existe uma aproximação política que os adversários naturalmente tentarão explorar.

O problema para JHC talvez esteja fora desse eleitorado. A última Quaest mostrou uma eleição equilibrada, com Renan Filho marcando 42% e JHC 40%, dentro da margem de erro. Nesse cenário, o voto de quem não se considera lulista nem bolsonarista pode ganhar peso ainda maior. É justamente aí que uma associação mais forte com a polarização nacional pode representar algum desgaste.

Renan Filho parece disposto a correr o risco, paera o bem e para o mal. Perde entre bolsonaristas, mas pode ganhar entre lulistas. JHC busca uma posição mais aberta. Quer os votos da direita, mas aparentemente sem transformar a eleição para governador numa extensão direta da campanha presidencial. A questão é saber por quanto tempo conseguirá evitar que o bolsonarismo grude na sua campanha.

Flávio Bolsonaro já escolheu JHC. Renan Filho já escolheu Lula. E a campanha adversária trabalha para lembrar todos os dias quem JHC escolheu em 2022. Querendo ou não, a polarização chegou. E, numa eleição decidida ponto a ponto, saber quem ganha — e quem perde — com essa divisão pode ser uma das chaves da disputa pelo governo de Alagoas.