Vontade de doce: por que é tão difícil resistir?
Vontade de comer doce é resultado de uma combinação de fatores fisiológicos, emocionais e comportamentais

Você termina o almoço e, mesmo sem estar com fome, sente aquela vontade de comer um chocolate. No meio da tarde, parece que falta energia e surge a necessidade de um doce. À noite, depois de um dia cansativo, aquela sobremesa parece ainda mais irresistível.
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Mas será que essa vontade é apenas falta de disciplina? A resposta é: não necessariamente.
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A vontade de comer doce é resultado de uma combinação de fatores fisiológicos, emocionais e comportamentais. E entender o que está por trás desse desejo pode ser muito mais eficiente do que simplesmente tentar "resistir".
Quando o problema começa no prato


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Uma alimentação pouco equilibrada pode favorecer o aparecimento da fome e da vontade de comer doces ao longo do dia.
Quando as refeições são pobres em proteínas, fibras e gorduras boas, a saciedade pode durar menos tempo. O resultado é que, algumas horas depois, a pessoa pode sentir fome novamente e procurar alimentos que ofereçam energia de forma rápida.
Por isso, antes de tentar eliminar o chocolate ou o doce da rotina, vale observar como estão as refeições principais.
Um prato com proteína, vegetais, carboidratos de boa qualidade e fontes de gordura pode contribuir para uma maior saciedade e ajudar a reduzir a necessidade de "beliscar" entre as refeições.
Dormir mal também pode aumentar a vontade de comer
Uma noite mal dormida pode ter consequências que vão muito além do cansaço.
A privação de sono interfere na regulação da fome e da saciedade e pode aumentar a preferência por alimentos mais calóricos e ricos em açúcar e gordura. Além disso, quando estamos cansados, é comum buscarmos alimentos que proporcionem uma sensação rápida de prazer e energia.
Isso explica por que, depois de uma noite ruim, aquela vontade de doce pode parecer muito mais difícil de controlar.
E o estresse?
Quem nunca chegou ao final de um dia estressante pensando: "Eu mereço um chocolate"?
O alimento também pode estar associado a recompensa e conforto emocional. Em situações de estresse, ansiedade, tristeza ou cansaço, algumas pessoas passam a utilizar a comida como uma forma de aliviar emoções desagradáveis.
Nesse caso, o problema não está necessariamente na fome, mas na relação estabelecida com o alimento.
É importante aprender a reconhecer a diferença entre fome física e vontade de comer. A fome costuma aparecer gradualmente e pode ser satisfeita por diferentes alimentos. Já a vontade específica de comer um chocolate ou outro doce pode surgir de repente e permanecer mesmo quando não existe fome.
As mulheres também podem perceber mudanças ao longo do ciclo
Para muitas mulheres, a vontade de comer doces aumenta em determinados períodos do ciclo menstrual.
As oscilações hormonais podem influenciar o apetite, o humor, o sono e a preferência alimentar. Por isso, é possível que a mesma mulher tenha mais facilidade para controlar a alimentação em alguns dias e sinta maior desejo por doces em outros.
Na fase do climatério e da menopausa, outras mudanças hormonais e comportamentais também podem modificar a relação com a fome, o sono e a composição corporal.
Isso não significa que os hormônios sejam os únicos responsáveis pelo ganho de peso ou pela vontade de comer doce. Eles fazem parte de um conjunto de fatores que precisam ser avaliados.
Proibir pode aumentar ainda mais o desejo
Outro erro bastante comum é transformar o doce em um alimento proibido.
Quando determinada comida passa a ser vista como "errada" ou "proibida", ela pode ganhar ainda mais valor emocional. A pessoa tenta evitar, consegue durante alguns dias e, quando finalmente come, sente culpa e acaba exagerando. O famoso ciclo do Controle X Descontrole.
Uma alimentação saudável não precisa ser uma alimentação sem doces. O mais importante é aprender a incluí-los de maneira consciente, dentro de uma rotina alimentar equilibrada, sem transformar uma sobremesa em motivo de culpa.
Então, como diminuir a vontade de doce?
Não existe uma única estratégia que funcione para todo mundo. Mas alguns hábitos podem ajudar:
• faça refeições completas e nutritivas;
• inclua uma boa fonte de proteína nas refeições;
• consuma frutas, verduras e legumes diariamente;
• aumente a ingestão de fibras;
• mantenha uma boa hidratação;
• cuide da qualidade e da duração do sono;
• pratique atividade física regularmente;
• observe se a vontade aparece principalmente em situações de estresse ou ansiedade;
• evite passar longos períodos fazendo dietas muito restritivas.
E, principalmente, não transforme o doce em um inimigo. Ter vontade de comer chocolate ou sobremesa é normal. O problema aparece quando o consumo se torna frequente, automático ou acompanhado de culpa e perda de controle.
Em vez de perguntar apenas "como faço para resistir ao doce?", talvez seja mais importante perguntar:
"O que o meu corpo ou o meu comportamento está tentando me dizer quando essa vontade aparece?"
Muitas vezes, a resposta pode estar em uma refeição pouco nutritiva, em noites mal dormidas, em uma rotina estressante ou simplesmente em um hábito que foi construído ao longo do tempo.
Cuidar da alimentação não significa viver em guerra contra o chocolate. Significa entender o próprio corpo, fazer escolhas conscientes e construir uma relação mais equilibrada com a comida.
Quer emagrecer ou precisa de ajuda para melhorar sua relação com a alimentação? Será um prazer ajudar você nessa jornada.
Luciana Leme
Nutricionista – CRN3: 29.513
Nutricionista com atuação em saúde da mulher, emagrecimento e mudanças hormonais femininas, atendendo mulheres que buscam recuperar energia, qualidade de vida e equilíbrio metabólico).
@lemelunutri – instagram
@lucianalemenutri – Youtube
(11) 97247-2729
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
