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Macri tenta estimular consumo para amenizar crise na Argentina

A dois meses das eleições, presidente busca recuperar prestígio com a classe média

BUENOS AIRES, ARGENTINA - A pouco menos de dois meses da eleição presidencial na Argentina, economistas e analistas políticos afirmam que o presidente Mauricio Macri se enfraquece a cada dia e hoje tem menos chances de permanecer no poder, apesar das tentativas recentes de estimular o consumo e recuperar o prestígio com a classe média.

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A turbulência que atingiu os mercados na última semana e que teve como ponto máximo a moratória de parte da dívida interna tem como pano de fundo um deficit fiscal que, após quatro anos de mandato, não foi revertido como prometera Macri.

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Ao contrário, nas últimas semanas, o presidente acionou medidas para ativar o consumo: prometeu um abono salarial a todos os funcionários públicos e cortou o imposto que incide sobre os alimentos, entre outras medidas.

Na sexta-feira (30), ofereceu aumentar em 35% o salário mínimo, para compensar uma inflação que chegou a 54% nos 12 meses até julho. Os trabalhadores pediram mais.

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Desde junho Macri mantém uma política que subsidia o pagamento em 12 vezes sem juros no cartão de crédito em cerca de 200 redes do varejo do país, o chamado Ahora 12.

O programa é bancado por recursos que os bancos deveriam deixar depositados no banco central, mas foram liberados para inflar o crédito por orientação do governo.

O economista Fausto Spotorno, da consultoria Orlando Ferreres & Asociados, afirma que os anabolizantes deverão contribuir com 0,2% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, mas isso não será suficiente para tirar a economia da rota da recessão, com uma queda de 1,7% em 2019.

"São medidas que não geram impacto porque são pequenas e porque o problema da dívida deprime a economia. Quando capitais começam a sair do país, o crédito interno cai e a demanda também", afirma.Para o economista e consultor Marcelo Elizondo, Macri assumiu uma estratégia econômica equivocada, que desaguou na atual crise financeira. Em vez de enfrentar o deficit público, endividou-se, primeiro com credores privados e depois com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

A dívida pública argentina saltou, em seu mandato, do equivalente a 52% para 90% do PIB. "O que Macri pode fazer com essa crise? Não muito, pode conter seus efeitos, mas não resolver o problema. Não pagar vencimentos de títulos é uma resposta. Mais adiante, pode ser que imponha restrições de acesso ao dólar. De todos modos, são medidas acessórias que não resolvem o problema de fundo", afirmou Elizondo.A incerteza econômica casou-se com a política quando Macri apareceu bem atrás do opositor Alberto Fernández, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner.As primárias abertas obrigatórias ocorreram no último dia 11, e as pesquisas apontavam Macri três pontos atrás de Fernández. No entanto, ele perdeu de 47% a 32%.

O cenário político muito diferente do que previam os investidores derrubou os mercados nos dias seguintes e aumentou a cobrança sobre uma solução de Fernández, dado o favoritismo que assumiu na corrida eleitoral.

O político peronista, no entanto, tem evitado dar respostas. Após a moratória de quarta-feira (28), limitou-se a dizer que Macri estaria "contando os dias" para deixar o cargo.

"Estamos vivendo uma situação política inédita causada pelas primárias, que definiram o ganhador muito antes da eleição e muito antes da posse. Isso num país de estabilidade econômica precária pode causar um erupção a qualquer momento", diz o analista político Marcos Novaro. "Macri não tem mais chances de virar o jogo e não quer aceitar."

Economistas, porém, se frustram com a falta de palavras de Fernández, que tem optado por criticar Macri e o próprio FMI porque, segundo ele, teriam jogado tudo pela reeleição -durante o atual governo, o Fundo liberou um empréstimo de US$ 57 bilhões à Argentina.

Spotorno afirma que os economistas esperam por uma saída à la FHC-Lula, em 2002, quando os dois negociaram juntos um novo socorro ao Fundo.

"É fundamental que Fernández diga algo. Não temos ideia sobre se ele e Macri vão acordar sobre os problemas mais sérios do país, mas sem isso a economia não funcionará", disse.

Elizondo enxerga outra estratégia entre os peronistas. "Fernández não tem de dar resposta à crise, e é essa a sua estratégia, deixar que Macri desinfle completamente", afirmou.

As eleições estão marcadas para o próximo dia 27 de outubro.

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