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Carlos Ghosn diz que organizou fuga do Japão sozinho

Ex-chefe da aliança Renault-Nissan afirmou em nota que a família não participou do plano de escape

O ex-presidente da aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn, que fugiu do Japão para o Líbano na segunda-feira (30), onde estava em prisão domiciliar, disse em nota nesta quinta (2) que planejou a fuga sozinho. Segundo ele, a família não participou do plano de escape.

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"Houve especulações na mídia de que minha esposa, Carole, e outros membros da minha família participaram da minha saída do Japão. Todas essas especulações são imprecisas e falsas", diz o texto.

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"Só eu arranjei minha partida. Minha família não teve nenhum papel", acrescenta o comunicado.

Também nesta quinta-feira (2), o Líbano anunciou que recebeu um pedido de prisão da Interpol contra Ghosn. "O Ministério Público (...) recebeu um aviso vermelho da Interpol sobre o caso Carlos Ghosn", disse o ministro da Justiça libanês Albert Sarhane, citado pela agência de notícias oficial ANI.

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Ghosn, que além da nacionalidade brasileira tem cidadania francesa e libanesa, era alvo de quatro acusações por crimes financeiros no Japão. Lá, onde vivia prisão domiciliar sob fiança desde abril de 2019, o magnata tinha certa liberdade de movimento, mas sob condições estritas.

No Japão, órgãos governamentais e a justiça ainda estão em recesso pelas festas de fim de ano, mas autoridades japonesas fizeram buscas na casa do empresário em Tóquio nesta quinta. Investigadores buscam imagens de vídeo de residências vizinhas que tenham registrado a saída de Ghosn.

No último dia do ano, a justiça japonesa rescindiu o acordo de fiança que tinha com Carlos Ghosn e confiscou um valor equivalente a mais de R$ 50 milhões. Como Japão e Líbano não têm acordo de extradição, não é possível dizer os próximos passos.

A imprensa japonesa diz que o governo vai cobrar explicações do Líbano por meio de canais diplomáticos.

O que se sabe sobre sua fuga até o momento é que o empresário escapou do país a bordo de um jatinho privado e fez uma escala em Istambul, na Turquia, antes de chegar ao Líbano.

A Turquia lançou uma investigação sobre a fuga de Ghosn e sete pessoas foram presas, incluindo quatro pilotos, de acordo com a agência de notícias DHA.

Passaportes

Os advogados do executivo mantinham sob seu controle três passaportes (um francês, um libanês e um brasileiro) - condição imposta pela justiça japonesa desde que ele foi colocado em prisão domiciliar. Ghosn, entretanto, tinha um segundo passaporte francês.

Em maio, uma autorização excepcional do Japão permitiu que o empresário ficasse com um dos dois documentos franceses trancado em uma mala. O documento servia como visto de curta duração no país, e Ghosn precisava utilizá-lo em seus deslocamentos internos, porque, no Japão, estrangeiros devem se deslocar com seu passaporte ou um documento de identidade fornecido por um governo.

A chave da mala onde estava o segundo passaporte, no entanto, ficava com os advogados de Ghosn. Se passasse por um local de controle de documentos, o empresário deveria contatar um deles para que fosse encontrá-lo (e levar a chave). Segundo a imprensa francesa, essa não era uma condição exclusiva de Ghosn, mas de todas as pessoas que estão em algum regime de liberdade condicional.

As autoridades japonesas não têm registro de que o magnata tenha, porém, apresentado sua real identidade nos controles de fronteira. Além disso, a emissora japonesa NHK afirmou que Ghosn não teria utilizado este segundo passaporte francês para entrar no Líbano, e sim um "meio ilegal".

Prisão de Ghosn

Carlos Ghosn foi preso no Japão em 19 de novembro de 2018 e, desde então, deixou a presidência do conselho das três montadoras que comandava: da Nissan, da Mitsubishi e da Renault.

Ele foi solto sob pagamento de fiança em março de 2019, após mais de 100 dias detido, mas acabou preso novamente em abril, por novas acusações das autoridades. No mesmo mês, foi solto após pagamento de fiança de US$ 4,5 milhões, valor equivalente a R$ 17,8 milhões. Quando fugiu para o Líbano, aguardava o julgamento, previsto para 2020.

As circunstâncias da fuga ainda não estão claras. Ele teria usado um jato particular que decolou do aeroporto de Kansai, no oeste do Japão. Segundo a imprensa japonesa, uma aeronave deste modelo teria deixado o país no dia 29 de dezembro, às 23h, em direção a Istambul. A aterrissagem teria acontecido no aeroporto de Atatürk, fechado para voos comerciais.

Na mídia libanesa levantou-se a hipótese que Ghosn teria escapado escondido em uma caixa de instrumento depois de um concerto privado na sua residência. "É ficção pura", disse a mulher de Ghosn, Carole, em entrevista à Reuters.

Pessoas próximas a Ghosn disseram ele foi recebido pelo presidente do Líbano, Michel Aoun.

Já em Beirute, Ghosn divulgou um comunicado em que afirmou que não será "mais ser refém de um sistema judicial japonês fraudulento em que se presume culpa, onde direitos humanos básicos são negados. Não fugi da justiça. Escapei da injustiça e da perseguição política. Agora posso finalmente me comunicar livremente com a mídia e estou ansioso para começar na próxima semana".

Nesta quinta-feira (2), a secretária de Estado francês para a Economia, Agnès Pannier-Runacher, declarou que o empresário não será extraditado se for para a França. "A França nunca extradita seus cidadãos, então aplicaremos a Ghosn as mesmas regras que aplicamos para todos. Não é por isso que achamos que ele não deva ser julgado pela Justiça japonesa", declarou, em entrevista ao canal BFMTV.

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