Número de afogamentos em Alagoas cresce cerca de 40% em um ano e acende alerta
Em 2018, Estado teve 207 casos, contra 147 nos 12 meses de 2017; consumo de bebida é um dos fatores
As águas calmas de Alagoas escondem um dado alarmante: o número de afogamentos no Estado cresceu cerca de 40% em apenas um ano. Em 2017, foram 147 casos nos municípios alagoanos, contra 207 agora em 2018. Os dados são do Corpo de Bombeiros (CBMAL).
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Segundo o major Pantaleão, do Grupamento de Busca e Salvamento, 75% desses afogamentos foi registrado no interior do Estado. Locais como rios, açudes e barreiras são citados entre os mais perigosos. Crianças deixadas sozinhas em baldes e piscinas também representam uma grande parte dos registros.
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"Hoje um dos grandes problemas é a falta de prevenção e de atenção dos responsáveis. Muitos dos casos envolvem crianças e adolescentes e acontecem por falta de supervisão dos adultos, que acabam deixando as crianças à toa. Não se pode, por exemplo, deixar uma criança de dois anos sozinha numa piscina".
Outro fator que contribui para que as pessoas se afoguem, diz o major do CBMAL, é a mistura do consumo de bebida alcoólica com a vontade de nadar. Esse tem sito o principal motivo das ocorrências nas praias de Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca, todas localizadas na capital.


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"A grande maioria dos afogamentos nessa parte de Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca são de chamados afogamentos secundários, aquele que tem outro fator. Em geral, são causados pela bebida alcoólica. O local se assemelha a uma piscina, mas com o consumo de álcool o banhista pode até ter uma crise convulsiva dentro da água", aponta.
E o oficial do Corpo de Bombeiros ressalta que, apesar das ações realizadas, as estatísticas do problema em Alagoas continuam altas. "Esse número de 207 afogamentos é muito alto. Mesmo com as campanhas que fazemos, com a corporação indo às rádios, ainda assim tivemos um aumento grande e isso se deve à falta de prevenção"
Parceria com surfistas

Para tentar prevenir pelo menos uma parte dos afogamentos, o CBMAL tem apostado nos surfistas. É que, íntimos de águas mais agitadas e sempre presentes nas praias com ondas, eles podem auxiliar nos salvamentos. Uma capacitação formou 65 deles no final de 2018.
"Formamos 65 surfistas numa parceria entre o Corpo de Bombeiros e a Secretaria de Estado do Turismo. Eles receberam a certificação da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático e estão nos locais de maior risco, que são os locais com ondas e onde tem muitas correntes de retorno, que são o que o pessoal chama de vala ou bacia".
Chamado de Surf Salva, o projeto terá uma quinta turma em fevereiro e já tem ajudado a salvar vidas em Alagoas. "Os surfistas constantemente vêm fazendo prevenção e também já salvaram algumas pessoas de afogamentos. Além de estarem se divertindo surfando, eles estão ajudando a prevenir novos casos", diz o major Pantaleão.
Já com relação aos guarda-vidas, o Estado possui 41 deles, alocados nas praias do Francês, Jatiúca, Guaxuma e Mirante. Na alta temporada, eles fazem rondas diárias com viaturas das 9h às 12h e das 13h30 às 17h, sempre em pontos estratégicos do litoral e com maior fluxo de banhistas.
"No final do ano, também tivemos 122 alunos que estão terminando a formação de soldado e iniciaram estágio supervisionado nos auxiliando na prevenção e orientando pessoas nas nossas praias".
