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Vídeo: Ceguinho do Centro relata ataques e teme voltar às ruas de Maceió

Artista popular afirma ter sido atacado pela 2ª vez e diz que não retorna ao local desde quarta (3) por medo de novas agressões

Conhecido por gerações de maceioenses como o Ceguinho do Centro, o artista popular Edmilson Mendes denunciou ter sido vítima de uma nova agressão enquanto trabalhava em frente a Igreja Nossa Senhora do Livramento, em Maceió. Em entrevista ao programa Edição das 5, da TV Gazeta, nesta sexta-feira (5), ele contou que foi atacado na última quarta-feira (3) por um homem que costuma circular pelo Centro da capital e afirmou que, desde então, não voltou ao local por medo de sofrer novas agressões.

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“Ele já fez isso duas vezes comigo. Na quarta-feira ele veio novamente e só não fez mais porque o povo correu para impedir. Daqui a pouco ele aparece com uma barra de ferro. Uma moça que fica perto de mim precisou me proteger para ele não me agredir outra vez”, relatou o artista, visivelmente abalado. Segundo Edmilson, o suspeito se aproxima das pessoas de forma inesperada e agride as vítimas sem qualquer motivo aparente.

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O músico afirma que o problema não se restringe ao episódio que viveu. De acordo com seu relato, outras pessoas que frequentam a região central também teriam sido alvo de agressões semelhantes. “Dizem que ele bate em todo mundo. Você está parado e, quando menos espera, vem a pancada. Tem gente que já apanhou. Até dentro da Igreja do Livramento ele foi bater em uma pessoa”, afirmou durante a entrevista.

A situação tem afetado diretamente a rotina de Edmilson, que há mais de quatro décadas tira do Centro de Maceió seu sustento e seu principal palco artístico. “Eu não fui trabalhar. Estou nervoso completamente. Estou com medo de sair de casa. Você está tocando, trabalhando, e quando pensa que não, recebe uma pancada na cabeça sem esperar”, desabafou. Segundo ele, a preocupação aumentou após a reincidência das agressões.

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A denúncia ganha repercussão por envolver um dos personagens mais conhecidos da cultura popular alagoana. Morador da comunidade Frei Damião, no Benedito Bentes, casado e pai de três filhos, Edmilson nasceu em São Bento do Una, no interior de Pernambuco, mas costuma dizer que se tornou alagoano de coração. Cego desde os primeiros meses de vida, enfrentou uma infância marcada por dificuldades e encontrou na música uma forma de sobreviver e ajudar a família.

Aos 12 anos, chegou sozinho a Maceió carregando apenas um velho pandeiro. Passou por abrigo para menores, estudou na Escola de Cegos Cyro Accioly e começou a construir uma trajetória que se confunde com a história do próprio Centro da cidade. Primeiro na Praça Bonfim, depois na antiga rodoviária do Poço e, por fim, na Rua do Livramento, transformou-se em uma das figuras mais queridas da capital, conquistando admiradores com seu talento e carisma.

Hoje, depois de vencer a pobreza, o preconceito e as dificuldades impostas pela deficiência visual, Edmilson afirma que deseja apenas voltar a fazer o que sempre fez: cantar, trabalhar e levar alegria às ruas de Maceió. Enquanto aguarda providências para garantir mais segurança na região central, permanece afastado do local onde construiu sua história e se tornou um símbolo da cultura popular da cidade.

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