Mesmo proibidos, fogos com estampido voltam a preocupar durante São João e Copa
Denúncias levaram órgãos de fiscalização a reforçar ações contra a comercialização e o uso dos artefatos, que afetam animais e pessoas com hipersensibilidade auditiva

Karla Vilela e Roberta Batista
15/06/2026 às 22:20 • Atualizada em 15/06/2026 às 22:34 - há XX semanas
Siga a GazetaWeb no Google
Mesmo proibidos em Alagoas desde janeiro deste ano, os fogos de artifício com estampido continuam gerando preocupação durante os festejos juninos e os jogos da Copa do Mundo. Após denúncias de descumprimento da lei, órgãos de fiscalização decidiram reforçar as ações contra a comercialização e o uso dos artefatos no estado.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

O barulho provocado pelos fogos afeta principalmente animais, pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e indivíduos com hipersensibilidade auditiva.
Leia também
A cadela Nina, de seis anos, sente os efeitos dos estampidos sempre que os fogos começam. Segundo a tutora, Ana Paula, o animal entra em desespero.
"Ela tenta fugir de casa, arranha portas, cava o chão, treme e fica com a respiração muito acelerada. É um sofrimento para ela e para toda a família", relatou.


Fraude fiscal milionária abala setor de água mineral

Renan Filho confirma conversas com republicanos e outros partidos alagoanos

Flávio diz para apoiadores vestirem a "camisa do Bolsonaro"

Câmara dos deputados vai implementar proposta de capacitação legislativa
Durante os jogos da Seleção Brasileira e nas noites de São João, a família costuma se isolar em um quarto com a cadela para tentar reduzir os efeitos do barulho.
O problema também afeta crianças com autismo. A professora Aracy Felix conta que a filha Alice, de cinco anos, sofre crises de choro, medo e desregulação sensorial após ouvir os estampidos.
"Ela tapa os ouvidos, chora muito e continua assustada por horas ou até dias. O impacto não acontece apenas naquele momento", explicou.
Fiscalização será intensificada
Diante das denúncias registradas nos últimos meses, o Ministério Público de Alagoas reuniu representantes do Procon, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar para alinhar as ações de fiscalização durante o período junino.
A fiscalização do comércio ficará a cargo do Procon e do Corpo de Bombeiros, que vão verificar estabelecimentos que fabricam, armazenam ou comercializam os produtos. Já a Polícia Militar atuará nas ocorrências envolvendo o uso irregular dos fogos pela população.
Segundo o promotor de Justiça Denis Guimarães, a legislação busca garantir inclusão e respeito às pessoas mais sensíveis aos estampidos.
"Festa boa é aquela que todo mundo se diverte. Não precisa fazer barulho para comemorar. É preciso pensar no outro e na inclusão social", afirmou.
Multas e denúncias
A lei estadual proíbe a fabricação, comercialização, transporte, armazenamento e utilização de fogos de artifício com estampido em Alagoas.
Quem descumprir a norma pode ser multado. Para pessoas físicas, as penalidades variam de R$ 2,5 mil a R$ 15 mil, podendo dobrar em caso de reincidência ou acidentes. Para empresas, as multas podem chegar a 20% do faturamento bruto, além da apreensão dos produtos.
Quem presenciar a venda ou o uso irregular dos fogos pode denunciar pelo Disque-Denúncia 181, pelo Procon, no número 151, ou acionar a Polícia Militar.
Com a proximidade das festas juninas e dos jogos da Copa do Mundo, os órgãos de fiscalização esperam reduzir os casos de descumprimento da lei e conscientizar a população sobre os impactos causados pelos estampidos.