Homem é preso por engano em Maceió após ser confundido com acusado de assalto de 2017
Vítima foi abordada no trabalho, passou a noite na Central de Flagrantes e só foi liberada após a defesa identificar o erro no processo
Um homem foi preso por engano na noite dessa terça-feira (22), em Maceió, após ser confundido com um réu de um processo relacionado a um assalto ocorrido em 2017. Ele tem o mesmo nome do acusado e foi abordado por policiais no próprio ambiente de trabalho. Sem antecedentes criminais, passou a noite na Central de Flagrantes e foi liberado somente na tarde desta quarta-feira (23), após a defesa esclarecer o erro.
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O homem preferiu não ser identificado. Segundo ele, durante a abordagem, nem os agentes conseguiram explicar inicialmente o motivo da prisão.
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“Eu procurei saber o porquê eu estava sendo preso, porque até eu não estava sabendo de nada e nem os próprios agentes conseguiam me dizer o motivo da prisão”, relatou.
Homem foi confundido com réu de assalto


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O caso teve origem em um processo de 2017, quando dois homens foram presos em flagrante por um assalto. Posteriormente, eles responderam ao processo em liberdade e participaram dos atos judiciais.
Segundo a advogada Claudia Michele Xavier, houve um erro na qualificação de um dos réus durante o processo. A inconsistência fez com que os dados do acusado fossem associados ao cliente dela, que tem o mesmo nome.
A defesa afirma que outros elementos de identificação, como nome da mãe e número do RG, poderiam ter sido utilizados para diferenciar as duas pessoas.
“O meu nome é igual ao do réu, confesso, mas, como eu falei, de forma errada, não verificar o nome da mãe, o número do RG, que é uma coisa prática”, afirmou o homem.
Mandado estava no nome do homem preso
A situação ganhou um agravante porque, segundo a advogada, o mandado de prisão estava formalmente no nome do homem que acabou sendo preso.
A defesa precisou consultar o processo de origem para entender como a identificação havia chegado àquela situação.
“O mandado de prisão realmente estava no nome dele, estava correto. Ou seja, ali eu não estava tendo o mandado de prisão para uma pessoa errada, era para o meu cliente. Agora eu queria saber qual o motivo”, explicou a advogada.
Ao analisar o processo, a defesa identificou a inconsistência e passou a reunir elementos para comprovar que o homem preso não era o réu envolvido no assalto.
Vítimas disseram que homem não participou do assalto
A advogada também conseguiu entrar em contato com as vítimas do crime de 2017. Segundo ela, após mostrar uma fotografia do cliente, as vítimas afirmaram que ele não era a pessoa envolvida no assalto.
A defesa também buscou imagens das audiências realizadas durante o processo. Conforme o relato da advogada, o réu correto participou da instrução processual e chegou a confessar o crime.
Esses elementos foram utilizados para esclarecer a identidade do homem e embasar o pedido de liberação.
Vítima passou a noite na delegacia
A advogada tentou solucionar a situação ainda na terça-feira (22), mas não conseguiu a liberação no mesmo dia. Segundo ela, o horário avançado dificultou a adoção das medidas necessárias junto à vara responsável pelo processo.
O homem passou a noite na Central de Flagrantes e só deixou a unidade na tarde desta quarta-feira.
Ele contou que foi preso diante de colegas de trabalho e que a situação provocou constrangimento.
“Você ser preso no seu ambiente de trabalho, as pessoas especulando o motivo pelo qual você foi preso, porque ninguém sabia qual era o motivo. Então, é um constrangimento imensurável”, afirmou.
O homem também relatou que nunca havia passado por uma situação semelhante.
“Eu estou indignado, revoltado com a situação, porque nesses meus 34 anos eu nunca subtraí nada de ninguém, nunca pisei numa delegacia.”
Ele afirmou ainda que não deseja que outra pessoa passe pela mesma experiência.
“Eu não desejo isso para ninguém, porque a humilhação que eu passei é complicada”, declarou.
Defesa vai pedir indenização por danos morais
Após a prisão por engano, a advogada informou que pretende ingressar com uma ação por danos morais, com pedido de reparação pelos transtornos provocados pelo episódio.
A defesa deverá utilizar os documentos do processo, registros das audiências e demais elementos reunidos para demonstrar que o homem preso não era o réu envolvido no assalto de 2017.
O caso deverá ser levado à Justiça para análise do pedido de reparação e das circunstâncias que levaram à prisão do homem.
