Produtores criam hashtag para questionar strikes do YouTube

Questão já tinha virado tema no início de novembro, quando vários youtubers brasileiros contaram que estavam tomando strikes seguidos e que por isso estavam com medo de perder o canal

Produtores de conteúdo voltaram a reclamar nos últimos dias de strikes dados em conteúdos antigos publicados no YouTube. O assunto rendeu a hashtag "#chegayoutube", que chegou a figurar entre os assuntos mais comentados no Twitter.

A questão já tinha virado tema no início de novembro, quando vários youtubers brasileiros contaram que estavam tomando strikes seguidos e que por isso estavam com medo de perder o canal. Nas regras da plataforma, com três strikes o canal é removido.

Dentre os youtubers que reclamaram do assunto estava Coelho, do canal mateiformiga, que tem mais de 3,8 milhões de inscritos. Ele disse que privou todos os vídeos porque tomou, na última segunda-feira (22), dois strikes em um mesmo dia.

Outro produtor que comentou sobre o assunto foi Aruan Felix, que tem mais de 5,4 milhões de inscritos. "Estou privando todos os meus vídeos do Youtube, inclusive o que me fez ficar tão famoso. Hoje recebi dois strikes movidos por uma empresa em vídeos que eu fiz em 2016 e se tomar mais um meu canal será excluído", contou no Twitter.

Por que estão ocorrendo os strikes?

De acordo com os youtubers, os strikes estão acontecendo seguindo um mesmo esquema que já trouxe dor de cabeça para eles há alguns anos. Eles explicam que empresas compram os direitos de músicas antigas que eram gratuitas para uso.

Com o direito adquirido das canções, essas empresas acabam dando strike nos vídeos antigos e chegam a exigir uma quantia dos produtores caso eles não queiram tomar o strike. Felipe Neto, um dos maiores youtubers do mundo, chegou a chamar essa prática de "máfia do copyright".

"Estou entrando em contato com o Youtube para ver o que pode ser feito. Essas máfias já foram combatidas pelo YouTube uma vez e foram derrotadas. Agora parece que estão tentando voltar", chegou a publicar o influenciador em seu Twitter em 9 de novembro.

No início do mês, o TecMundo conversou sobre o problema com Patife, que produz vídeos de gameplays. "Para um produtor, esse tipo de situação nos deixa completamente desprotegidos. E qualquer pessoa pode passar por isso, porque existem essas empresas que compram os direitos de músicas antigas e fazem esse processo de strike. Então ficamos à mercê deles, já que em alguns casos têm empresas que pedem uma quantia absurda em dinheiro para não dar o strike e não fazer a reivindicação do direito autoral", contou.

O que diz o YouTube?

O TecMundo entrou em contato com o YouTube para verificar se algum tipo de ação foi tomada para tentar evitar esse tipo de ação. Por nota, a empresa respondeu que os vídeos precisam respeitar as regras da plataforma e que as reinvindicações de direitos autorais são prerrogativas de quem é dono das propriedades intelectuais. Confira, abaixo, a resposta na íntegra:

“Os criadores de conteúdo só devem enviar vídeos que eles tenham produzido ou para os quais tenham autorização de uso. Isso significa que não é permitido utilizar conteúdo de propriedade de terceiros nos vídeos. Reivindicações relacionadas a direitos autorais cabem aos proprietários do material, e o YouTube oferece várias ferramentas para ajudar os detentores desses direitos a proteger e gerenciar o próprio conteúdo na plataforma".