IA ajuda mulheres a checar antecedentes de pretendentes
Mulheres usam IA para checar antecedentes de pretendentes e evitar encontros com agressores

O crescimento da violência de gênero no Brasil fez surgir um novo comportamento de autoproteção: mulheres usando inteligência artificial para investigar o passado de pretendentes antes de um primeiro encontro.
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Em 2025, o país registrou 1.571 feminicídios, o maior número desde a tipificação do crime em 2015, com alta de 4% em relação aos 1.504 casos do ano anterior, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. É nesse cenário que plataformas como Plinq, Puft.IA e Checki oferecem, em segundos, uma varredura em registros públicos, incluindo Diários Oficiais e andamentos processuais, para consolidar uma ficha sobre o parceiro em potencial.
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A engenheira Mariana Bonfim, 37, conheceu um homem que afirmava ter retornado a Brasília para assumir cargo público. A consulta no Plinq apontou um processo por contravenção penal. Uma verificação no portal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) confirmou que o pretendente havia firmado um acordo judicial por simular ser servidor público. “Assim que descobri, terminei o quase relacionamento imediatamente”, relata.
Ela conta que coleta os dados discretamente: pergunta o signo para saber a data de nascimento, confere a idade no aplicativo e usa o telefone como chave Pix para confirmar o nome completo.


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A estudante Jéssica Guimarães, 19, também evitou um encontro após a checagem. Antes de ver um pretendente em um show, ela descobriu que ele respondia a uma medida protetiva solicitada por uma ex-companheira desde 2022. O encontro foi desmarcado na mesma hora.
IA cruza dados públicos em tempo real
O Plinq foi lançado em junho de 2025 e reúne hoje mais de 70 mil usuárias. A startup nasceu após o assassinato da jornalista Vanessa Ricardi, morta com 11 facadas pelo ex-noivo em Mato Grosso, em fevereiro de 2025.
De acordo com a fundadora e CEO Sabrine Matos, o sistema centraliza informações de tribunais de Justiça e Diários Oficiais em uma interface simplificada. “Se uma decisão foi publicada hoje no Diário Oficial ou no tribunal, o registro já aparece na consulta”, diz. No primeiro dia, a plataforma alcançou 3 mil usuárias.
O maior desafio técnico foi “higienizar a base” diante da inconsistência dos dados judiciais, sem acessar processos sob segredo de justiça.
O Puft.IA, conduzido por Gianluca Terro, reúne registros de varas cíveis e criminais de diferentes estados e também mapeia endereços e contatos publicamente vinculados aos nomes pesquisados. Terro sustenta que o serviço reduz o tempo de checagem manual e preenche uma lacuna de informação que afeta muitas mulheres, que iniciam relacionamentos sem conhecer históricos de violência doméstica ou ameaça.
