Vídeo: "Respeite minha dor", diz Raquel Lyra após cartaz citar morte do marido
Candidata à reeleição, governadora pediu respeito à família e à memória de Fernando Lucena, que morreu em 2022

A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), publicou um vídeo nas redes sociais neste domingo (30) para comentar cartazes apócrifos espalhados pelo Recife com referências à morte de seu marido, o empresário Fernando Lucena.
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Raquel afirmou que viu imagens dos cartazes quando saía para uma agenda de campanha na zona da mata Sul de Pernambuco. "Pude ver de perto a crueldade de quem não tem limites", disse a governadora no vídeo.
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Os cartazes fazem referência à morte de Fernando Lucena, marido da governadora. O empresário morreu em 2022, aos 44 anos, na véspera do primeiro turno das eleições daquele ano, após um infarto.
Raquel pediu respeito à família, aos filhos e à memória do marido. "Respeite minha família, respeite meus filhos, respeite quem não está mais aqui, respeite minha dor", afirmou.


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A governadora classificou o episódio como uma manifestação de ódio. "O tempo da opressão e da perseguição passou. E não vai voltar. Porque na política, como na vida, não vale tudo", disse.
João Campos (PSB), candidato ao governo e principal adversário de Raquel na disputa, também repudiou os cartazes. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele classificou o material como "um completo absurdo" e afirmou que acionará a Justiça contra quem tentar atribuir a prática a ele ou à sua candidatura.
Campos lembrou que ele e Raquel perderam familiares durante campanhas eleitorais. "Eu perdi meu pai durante uma eleição. A candidata Raquel perdeu o marido durante uma eleição. Nós sabemos a dor que isso representa para uma família", afirmou. O pai de Campos, Eduardo Campos, morreu durante a campanha presidencial de 2014.
O candidato afirmou que não aceita o uso de familiares como instrumento da disputa eleitoral. "Isso ultrapassa qualquer limite da política. Isso é desumano e inaceitável", disse. Segundo ele, a Justiça Eleitoral deve identificar quem produziu, financiou e distribuiu o material e responsabilizar os envolvidos.
Troca de acusações
Raquel e Campos têm trocado acusações sobre supostos "gabinetes do ódio" na campanha. Nos dois casos, as suspeitas envolvem o uso de estruturas digitais para atacar o adversário por meio de páginas e perfis em redes sociais.
O tema ganhou força após a TV Record revelar um suposto esquema envolvendo um servidor comissionado do governo de Pernambuco. Amisadai Andrade da Silva foi gravado dizendo que havia sido contratado para produzir publicações para "desidratar" João Campos. Ele foi exonerado após a divulgação do caso, que, segundo a emissora, estaria sendo apurado pela Polícia Federal.
O TRE-PE determinou a retirada de vídeos que vinculavam Raquel ao suposto "gabinete do ódio" contra Campos. A decisão deu 24 horas para que publicações de quatro perfis no Instagram fossem removidas. As postagens já estão fora do ar.
A Justiça Eleitoral entendeu que os vídeos apresentavam como fatos comprovados suspeitas levantadas pela reportagem. Segundo a liminar do desembargador eleitoral Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, as publicações usaram trechos da matéria acompanhados de legendas que descontextualizavam as informações.
O desembargador afirmou que não havia comprovação da existência do esquema atribuído a Raquel. Segundo ele, a reportagem reunia indícios de uma possível estrutura destinada à disseminação de notícias falsas, mas não apresentava uma conclusão definitiva. O governo de Pernambuco nega as acusações.
A decisão também determinou que a Meta forneça dados para identificar os responsáveis pelos quatro perfis. A empresa deverá entregar informações cadastrais e registros de conexão das contas atingidas pela liminar.
