Com guerra de ministros, STF volta a cancelar sessão no plenário
Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um desgaste na credibilidade com troca de acusações entre ministros e Caso Master

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cancelou a sessão do plenário desta quinta-feira (17/9), em meio à crise na Corte após confrontos diretos entre ministros e impasse sobre a abertura de investigações contra os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, no âmbito do Caso Master.
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Desde que escalou a tensão entres Mendonça e Moraes, esta é a terceira sessão do plenário cancelada. A primeira após a histórica sessão de terça-feira (15/7), marcada por bate-bocas e troca de acusações.
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Fachin também cancelou a sessão do dia 23, que analisaria a condução de André Mendonça na condução de processos relativos a Alexandre de Moraes Caso Master.
O ministro Gilmar Mendes voltou a colocar o Supremo na pauta nesta quinta-feira (17/9), atacando Mendonça o acusando de agir parcialmente. Gilmar saiu em defesa do procurador-geral da República Paulo Gonet em publicação no X.


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Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita. Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele. Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam. E, naquele exato momento, o estrago à reputação já estava feito. Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário. Ainda assim, assistimos na terça-feira a uma cena lamentável. Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor? Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável. E não foi só isso. A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular. Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral. Já vimos esse filme. Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método. A ideia era sempre criar o fato consumado antes da ação penal, colher os dividendos políticos e deixar a defesa correndo atrás de um julgamento que a opinião pública já havia feito. Linchamento coletivo serve para esvaziar o direito de defesa e enterrar a presunção de inocência. E, como na Lava Jato, a hora nunca é ao acaso. Lá, sigilos caíam a poucas semanas das eleições. Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método. No fundo, o alvo é o direito de defesa de pessoas contra as quais esses agentes nutrem algo que se parece muito mais com vingança do que com justiça. Instituição séria respeita o devido processo desde o primeiro ato. A Paulo Gonet, minha integral solidariedade. O Brasil e as instituições são devedores da coragem, da seriedade e da correção de homens como ele.
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 17, 2026
Além disso, veio à público nesta quinta um ofício no qual Gilmar Mendes acusa o colega Luis Fux de ter combinado previamente com Mendonça o voto na decisão que afastou o diretor-geral da Polícia Federal (PF) Andrei Rodrigues.
Mendonça rebateu Gilmar Mendes, negando as acusações e afirmando que o decano do Supremo quer “constranger” os pares.
