Polícia prende no Ceará investigado por fraudar sistema virtual de órgão público de AL
Responsável empregava recursos tecnológicos destinados a dificultar sua identificação e localização, incluindo redes privadas virtuais (VPN)
A Polícia Civil de Alagoas (PCAL), por meio da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) e da Divisão Especial de Combate à Corrupção (Deccor), deflagrou, nesta quinta-feira (3), a Operação Atendimento Fantasma, com o cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão no município de Icó, no interior do Ceará. Uma pessoa foi presa.
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A ação é resultado da investigação instaurada após a identificação de acessos indevidos ao ambiente virtual de atendimento de um órgão da Administração Pública estadual, mediante utilização irregular de credencial vinculada ao sistema. Segundo as investigações, o acesso foi empregado para a prática de fraudes contra usuários do serviço público.
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De acordo com a polícia, as irregularidades foram identificadas a partir dos mecanismos de acompanhamento do próprio órgão, que detectaram dezenas de atendimentos suspeitos, nos quais eram apresentadas solicitações de pagamento por modalidade distinta daquela regularmente adotada pela Administração.
A apuração inicial constatou que os registros estavam associados à credencial de uma pessoa que, no período dos fatos, encontrava-se afastada de suas atividades, circunstância que levantou a hipótese de utilização indevida de suas informações de acesso por terceiros.


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A partir da comunicação dos fatos à Polícia Civil, as investigações foram aprofundadas e revelaram que o responsável pelas fraudes empregava recursos tecnológicos destinados a dificultar sua identificação e localização, incluindo redes privadas virtuais (VPN).
Apesar das técnicas utilizadas para ocultação dos acessos, a investigação cibernética permitiu identificar um endereço de IP efetivamente empregado em uma das conexões. Esse elemento, associado a diversos outros dados técnicos e informações obtidas no curso da investigação, permitiu individualizar o suspeito que se tornou alvo da operação.
Segundo a investigação, o esquema consistia na utilização fraudulenta de credencial para acesso ao ambiente virtual de atendimento de um órgão público, possibilitando ao suspeito interagir indevidamente com usuários que procuravam o serviço oficial. Durante os contatos, o investigado se apresentava como responsável pelo atendimento, alegava supostos problemas na emissão de documentos e induzia as vítimas à realização de pagamentos em benefício do grupo criminoso.
Em alguns casos, também foi identificada a produção de documentos falsos em formato PDF, elaborados para conferir aparência de legitimidade às cobranças indevidas. Até o momento, foram confirmados dois pagamentos realizados por vítimas do esquema.
As investigações apontam ainda que os valores obtidos eram movimentados por meio de contas de terceiros e intermediadoras de pagamento, estratégia destinada a dificultar a identificação dos beneficiários finais dos recursos e que também é objeto da apuração policial.
De acordo com a delegada Maria Eduarda, na operação desta quinta-feira foram cumpridos o mandado de prisão preventiva do investigado, decretado pela 17ª Vara Criminal da Capital, e o mandado de busca e apreensão em endereço a ele vinculado, em Icó/CE, onde foram apreendidos aparelhos eletrônicos e uma motocicleta utilizada pelo investigado.
A Justiça determinou ainda o bloqueio judicial de R$ 8.618,00, correspondente ao montante das fraudes até então confirmadas, além do afastamento do sigilo de dados telemáticos e bancários para aprofundamento das investigações. As medidas cautelares foram deferidas pela 17ª Vara Criminal da Capital em agosto de 2026, com manifestação favorável do Ministério Público de Alagoas.
Conforme explicou a delegada Ana Beatriz Silva, as investigações inicialmente consideraram a possibilidade de participação da pessoa a quem estava vinculada a credencial utilizada nos acessos e por isso as investigações inicialmente objetivavam apurar eventual crime de peculato e inserção de dados falsos em sistema de dados. Contudo, os elementos posteriormente reunidos afastaram seu envolvimento nos fatos, indicando que suas credenciais teriam sido utilizadas indevidamente por terceiros.
Com isso, permanecem sob investigação, em tese, os delitos de fraude eletrônica, organização criminosa e lavagem de capitais, sem prejuízo de eventual adequação jurídica decorrente do aprofundamento das investigações.
A Polícia Civil informa que as investigações prosseguem para identificar e responsabilizar eventuais outros integrantes do esquema, incluindo pessoas físicas e jurídicas possivelmente utilizadas para o recebimento e a movimentação dos valores obtidos ilicitamente.
