Marido de mulher que denunciou racismo em clínica de Maceió pede justiça: "É crime"
Caso aconteceu na última sexta-feira (18), quando a mulher aguardava atendimento médico
O marido de Christiane da Fonseca, que denunciou um caso de racismo durante um atendimento médico em uma clínica na Ponta Verde, em Maceió, afirmou que a família busca justiça pelo episódio. Rafael Gonzaga contou, em entrevista à TV Gazeta, que a esposa permanece abalada desde o ocorrido e que ele passou a falar pelo casal porque ela não se sente em condições de falar sobre o assunto.
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O caso aconteceu na última sexta-feira (18), quando Christiane aguardava atendimento médico. Segundo o relato do marido, o nome dela foi exibido no painel de chamada da clínica acompanhado da palavra “cativeiro”. Rafael afirmou que ele e a esposa são negros e que os termos utilizados foram apresentados diante de outros pacientes.
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“Não é uma questão de promoção pessoal, gente. É uma questão de necessidade de explicar às pessoas que o racismo é crime. Não é uma brincadeira. [...] A gente não quer holofote, a gente só quer que a Justiça seja feita. Nós não queremos justiçamento. Não é expor o médico, expor a clínica, criar uma situação constrangedora para eles. É simplesmente que eles se responsabilizem ou sejam responsabilizados pela atitude que tiveram com a minha esposa”, afirmou.
De acordo com Rafael, antes de Christiane ser chamada, outros pacientes teriam sido direcionados para a “Sala VIP” e uma mulher teria sido chamada para o “Cafofo”. Quando chegou a vez da esposa, o casal teria sido chamado para o “Cativeiro”.


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O marido relatou ainda que questionou a recepção sobre o uso dos termos e que, em seguida, o médico responsável pelo atendimento teria saído do consultório e assumido a autoria da chamada.
“Eu fui perguntar para a recepção de onde surgiu aquilo, se era uma prática. Nisso, o médico, o reumatologista, sai do seu consultório, que é bem em frente à recepção, e fala: ‘Fui eu. Fui eu que chamei assim, só para descontrair nossa sexta-feira’”, contou ele.
Rafael afirmou que o episódio provocou uma reação entre as pessoas que estavam na clínica e que ele e a esposa se sentiram expostos.
“A clínica nos colocou numa situação muito vulnerável, que as pessoas foram contra a gente. [...] Deixou a gente numa situação perigosa, onde as pessoas começaram a nos atacar dizendo que era besteira”, relatou.
Christiane permanece abalada
Conforme o marido, Christiane já enfrentava questões de saúde mental e teve o estado emocional agravado após o episódio. Ele afirmou que ela está fazendo uso de medicamentos e tentando se recuperar com o apoio da família.
“Ela está num estado muito difícil. Ela já é uma paciente psiquiátrica, que só se agravou mais. [...] Está à base de medicamento, tentando se recuperar e juntando força com a família aqui para sair dessa”, disse.
Rafael também afirmou que Christiane não tem condições de falar publicamente sobre o caso neste momento e que pediu a ele que se manifestasse em seu lugar.
“A vítima principal é ela, mas o protagonismo dessa história é o combate ao racismo”, finalizou.
Caso foi levado à polícia
Christiane e Rafael acionaram a Polícia Militar após o episódio e prestaram depoimento sobre o ocorrido. Segundo Rafael, o caso deverá ser encaminhado à Delegacia de Crimes contra Minorias (COD).
A Polícia Militar não divulgou o nome da clínica nem a identidade do médico envolvido.
O caso foi registrado após Christiane ter o nome exibido em um painel de chamada acompanhado da palavra “cativeiro”. Segundo o relato do marido, o médico teria dito que foi responsável pela escolha do termo e que pretendia “alegrar a nossa sexta-feira”.
A apuração deverá esclarecer as circunstâncias do episódio e eventual responsabilidade dos envolvidos.
