Entenda como funcionava o suposto esquema milionário investigado contra "Vitinho" e o pai
Fraude fiscal foi identificada pela Polícia Civil durante apurações sobre fuga do jovem acusado de estuprar colega

Movimentação de valores milionários provenientes da compra e venda de veículos em contas físicas e de laranjas. Abertura de empresas do mesmo ramo que operam na informalidade. O objetivo? Sonegar impostos. Essa é a linha de investigação desencadeada pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Deccor) da Polícia Civil de Alagoas contra José Vieira dos Santos, mais conhecido como Dedé Veículos, e o filho dele, Victor Bruno da Silva, o Vitinho, preso na última sexta-feira (10) pelo crime de estupro contra Maria Daniela.
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A descoberta de um possível crime financeiro ocorreu após a Polícia Civil abrir um novo inquérito para investigar como a fuga de Vitinho estava sendo financiada, visto que havia dificuldade em localizá-lo durante as diligências do caso de estupro. O jovem, de 19 anos, ficou foragido da Justiça por um ano e cinco meses após ser acusado de espancar e estuprar Maria Daniela, então com 19 anos, em Coité do Nóia, em dezembro de 2024.
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Segundo o delegado José Carlos, da Deccor, ao analisar as contas bancárias com autorização judicial, foi identificado que só o pai de Vitinho movimentou, em quatro anos, R$ 150 milhões em contas bancárias.
Com isso, Dedé Veículos está sendo apontado como líder de um grupo criminoso de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro, composto por seis pessoas físicas e jurídicas, sendo elas ele, o filho e mais quatro pessoas identificadas como laranjas.


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Segundo o investigador, ao todo, os demais integrantes movimentaram R$ 305 milhões em quatro anos.
O delegado José Carlos explicou que foram identificadas três empresas abertas por Dedé Veículos, sendo duas em Arapiraca e uma em São Miguel dos Campos, todas do ramo de compra e venda de automóveis e motocicletas. No entanto, apenas uma opera na formalidade e está registrada no nome do filho, mas é gerenciada, na prática, pelo pai. As outras duas, apesar de existirem fisicamente, funcionam sem registro de CNPJ. Uma quarta empresa, localizada em Maceió, também entrou na mira das investigações.
“Essas empresas até têm capacidade de, em quatro anos, movimentar esse tanto de dinheiro, porque é compra e venda de veículos. Mas o problema é que eles movimentavam esses valores nas contas de pessoas físicas e de laranjas”, explicou o delegado.
De acordo com o delegado José Carlos, o suspeito atua na compra e venda de veículos novos e também usados. As investigações apontam indícios de que, para os veículos novos, ele recorre às empresas porque precisa da formalização para o financiamento. No entanto, é nos veículos usados que a fraude acontece.
“Em vez de escriturar isso e receber em nome das contas das empresas e informar à Receita Estadual, ao Fisco estadual, esse dinheiro é transacionado nas contas pessoais de laranjas. Tem dois funcionários dele que acreditamos que são laranjas. E a utilização desses laranjas, a gente entende que representa lavagem de dinheiro. Por isso, os crimes investigados são fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e organização criminosa”, pontuou o delegado.
Na sexta-feira (10), Victor Bruno, o Vitinho, foi preso preventivamente pelo crime de estupro, mas também temporariamente pelos crimes financeiros. Ele se entregou à polícia diante de um cerco que se fechou durante uma operação realizada pela Polícia Civil naquele mesmo dia em um dos estabelecimentos comerciais do pai. O jovem estava escondido na casa de um parente, na zona rural de Taquarana, local onde os investigadores o capturaram e o levaram para a delegacia. Em seguida, ele foi transferido para Maceió.
Durante a operação, a Polícia Civil apreendeu documentos, entre eles 17 livros identificados como uma espécie de escrituração dos negócios do pai, Dedé Veículos. Esse material será analisado pela investigação. Também foram apreendidos dois veículos pessoais, avaliados em R$ 250 mil.
Segundo o delegado José Carlos, a vida financeira dos dois estava sendo acompanhada havia pelo menos seis meses. De acordo com a autoridade, para a Receita Federal era formalizado um valor bem abaixo daquele que, de fato, as lojas conseguiam movimentar.
“São lojas sem muito requinte, que dão a ideia de baixo movimento. Só que ele é muito conhecido e muito respeitado na região. Então, virou referência para comercialização de motos”, complementou o delegado.
A Polícia Civil pediu ainda o bloqueio de R$ 2 milhões das contas do suspeito. A estimativa é de que haja cerca de R$ 1,8 milhão em impostos pendentes junto à Receita Estadual. No entanto, esses valores ainda serão submetidos à Secretaria da Fazenda.
