Caso Maria Vitória: PC revela sequência de vinganças que terminou com morte de adolescente
Delegado aponta que outro assassinato teria desencadeado o crime em julho, no Jacintinho

• Atualizada em - há XX semanas
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A Polícia Civil de Alagoas (PCAL) concluiu os inquéritos que investigaram as mortes de um homem conhecido como Binho, de 31 anos, assassinado em abril, e da adolescente Maria Vitória Cardoso da Silva, de 15 anos, em julho, revelando uma sequência de vinganças como elemento central para explicar os dois crimes.
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Segundo o delegado Arthur César, responsável pela investigação, a apuração indica que Maria Vitória teria buscado vingança após ser agredida por uma mulher e dois homens. Um deles pode ter sido Binho, que acabou assassinado em 22 de abril.
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A morte dele, por sua vez, teria provocado uma nova reação. A mulher que seria alvo da vingança da adolescente é apontada pela polícia como uma das responsáveis pelo sequestro de Maria Vitória, criando uma sequência de retaliações que terminou com a morte da jovem.
“Ela [Maria Vitória] queria se vingar da mulher que a gente prendeu pelo sequestro e morte dela”, explicou o delegado.


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Apesar de a motivação não ter sido confessada pelos envolvidos, a Polícia Civil afirma ter reunido provas técnicas e testemunhais suficientes para sustentar a linha investigativa.
INÍCIO DA VINGANÇA
De acordo com a investigação, Maria Vitória havia passado a viver fora da casa onde era criada e mantinha relações com diferentes pessoas. Em determinado momento, teria iniciado um relacionamento com o primo da mulher que a acolhia e também teria sido acusada de retirar objetos da residência.
Depois de ser expulsa do local, a adolescente teria sido encontrada na rua e agredida pela mulher e por dois homens ainda não identificados.
Para a Polícia Civil, essa agressão pode ter sido o ponto de partida para a vingança que terminou com a morte do rapaz. “Ela sofreu um espancamento e isso teria dado motivo para ela se vingar. A vingança dela teria sido a morte desse homem”, afirmou Arthur César.
A polícia suspeita que Binho tenha sido um dos homens envolvidos na agressão. Ele era ex-companheiro da mulher que, posteriormente, teria participado do sequestro de Maria Vitória.
A morte dele também teria repercutido entre integrantes do tráfico de drogas na região do Belo Monte. Segundo o delegado, pichações encontradas na comunidade com mensagens de homenagem ao homem morto ajudaram a evidenciar a dimensão que o crime ganhou dentro daquele ambiente.

Meses depois, a própria Maria Vitória teria se encontrado com a mulher que, segundo a investigação, buscava vingança pela morte de Binho.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a mulher segura a adolescente pelos braços em uma via pública e a coloca dentro de um carro. A Polícia Civil afirma que as imagens foram apresentadas à Justiça, mas não serão divulgadas.
A jovem foi levada para a região da Grota do Belo Monte, onde, segundo a investigação, teria sido torturada e morta. O corpo foi posteriormente abandonado em uma área de descarte irregular de lixo na Avenida Juca Sampaio, no Jacintinho.
Maria Vitória foi assassinada no dia 1º de julho. O laudo pericial apontou que a causa da morte foram perfurações provocadas por arma branca. A perícia também identificou lesões no rosto, próximas aos olhos, e arranhões nas costas, indicando que a vítima pode ter sido arrastada.
SUSPEITOS
A Polícia Civil indiciou a mulher apontada como responsável pelo sequestro e solicitou a prisão de dois homens que teriam participado diretamente do assassinato de Maria Vitória.
Um deles, de 31 anos, foi preso preventivamente no dia 4, no bairro do Jacintinho. A prisão ocorreu na mesma região onde o crime aconteceu e foi a segunda realizada no caso.
Antes disso, em 23 de julho, uma mulher de 31 anos já havia sido presa preventivamente por suspeita de participação no sequestro e homicídio da adolescente.
A investigação aponta ainda a existência de um terceiro envolvido que continua sendo procurado. Segundo o delegado, pessoas que estavam dentro do sistema prisional também teriam participado do que ele chamou de “julgamento” de Maria Vitória, mas esses nomes ainda não foram identificados publicamente.
Arthur César fez ainda uma ressalva sobre o homem registrado por câmeras empurrando um carrinho de mão com um saco branco e abandonando o corpo da adolescente.
"Ele não participou do homicídio. O homem teria acreditado que estava ajudando a descartar o cadáver de um cachorro. Depois, passou a ser ameaçado por traficantes da região, que o impediram de deixar a própria casa e o obrigaram a se desfazer das roupas usadas naquele dia, numa tentativa de dificultar sua identificação", relatou Arthur.
Com os inquéritos concluídos, a Polícia Civil considera reunidas provas técnicas e testemunhais para sustentar as principais linhas de autoria e motivação investigadas.