Médico relata fuga de pacientes com Ebola por ataque a hospital na RD Congo
Multidão atirou pedras e danificou cerca ao redor do local após morte de mulher grávida

Pacientes com Ebola e profissionais de saúde fugiram de um hospital no leste da República Democrática do Congo depois que o local foi atacado por uma multidão enfurecida, segundo informou à Reuters um profissional de saúde da instituição.
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Parentes de uma paciente faziam parte da multidão que invadiu o Hospital Nyakunde, na província de Ituri, na tarde e à noite de quarta-feira (15), atirando pedras e danificando a cerca ao redor do local, disse François Berocan Uderos, biólogo médico do hospital.
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A multidão reagia à morte de uma mulher que havia ido ao hospital para dar à luz, mas desenvolveu anemia grave, disse ele.
“Membros da família dela se ofereceram para doar sangue, mas o hospital recusou porque as transfusões de sangue são proibidas durante surtos de ebola”, explicou Uderos.


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A mulher morreu por volta das 15h, no horário local, e o ataque ao hospital começou logo em seguida, afirmou Uderos, acrescentando que vários dos cerca de 10 pacientes com Ebola que recebiam tratamento no local haviam fugido.
“A equipe médica já deixou o hospital. O gerador que fornecia energia à unidade não está mais funcionando, e os pacientes fugiram”, relatou.
Ataques dificultam combate ao Ebola
O ataque ressalta as dificuldades que as autoridades de saúde enfrentam no combate ao Ebola no leste da RD Congo, onde a desconfiança em relação às equipes médicas, a resistência da comunidade e a insegurança têm atrapalhado esforços de tratamento e contenção.
O mais recente surto de Ebola, o 17º no país, já resultou em 2.073 casos confirmados e 796 mortes, segundo dados oficiais.
Houve vários ataques de multidões enfurecidas a unidades de saúde desde que o surto foi anunciado em maio, relembrando a violência que ocorreu durante um surto de 2018 a 2020 no leste da RD Congo, que matou mais de 25 profissionais de saúde.
Os riscos à segurança têm alimentado protestos e ameaças de greve por parte dos profissionais de saúde, que afirmam que a remuneração que recebem não reflete a carga de trabalho e o estresse a que estão sujeitos.
O exército da RD Congo informou em comunicado que abriu uma investigação sobre os distúrbios em Nyakunde.
