Inteligência dos EUA alerta que Putin pode testar força da Otan com ataque
Cenários avaliados incluem ataques cibernéticos e incursões de pequena escala contra países da aliança militar

Avaliações recentes da inteligência dos EUA indicam que o presidente russo Vladimir Putin poderia tentar testar a capacidade de resposta da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) ao lançar um ataque limitado contra um país aliado nos próximos anos, de acordo com três fontes familiarizadas com esses relatórios.
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São vários cenários possíveis de escalada russa, que vão desde um ataque cibernético até uma incursão de pequena escala com o objetivo de desafiar a união da Otan e seu compromisso com o Artigo 5, que estabelece que um ataque a um membro é um ataque a todos, sem necessariamente cruzar o limiar para uma resposta aliada, disseram as fontes.
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Embora como e quando Putin poderia fazer esse ataque permaneça uma questão em aberto, uma das fontes disse que ele tem maior probabilidade de escalar de alguma forma mirando os países bálticos ou a Polônia. O The Wall Street Journal foi o primeiro a noticiar as avaliações recentes.
Autoridades dos EUA e da Otan acreditam que Putin pode optar por escalar contra a Otan caso não consiga garantir uma saída honrosa para a guerra com a Ucrânia, acrescentaram as fontes, observando que a janela do presidente russo para escolher seu próximo curso de ação se estende entre agora e os próximos anos.


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Martin O'Donnell, porta-voz militar sênior da Otan, se recusou a comentar avaliações de inteligência classificadas, mas disse que a Otan está "sempre pensando e se preparando para qualquer número de cenários".
"A Otan está observando e estamos prontos para dissuadir e defender conforme necessário, o que continuamos a demonstrar", acrescentou.
Houve inúmeros casos, nos últimos anos, de a Rússia invadir o território da Otan. Em maio, um drone carregando explosivos atingiu um prédio residencial na Romênia enquanto as forças russas atacavam um porto ucraniano próximo, ferindo duas pessoas. E em setembro passado, caças da Otan abateram vários drones russos que violaram o espaço aéreo polonês durante um ataque à Ucrânia.
E ainda nesta semana, os EUA avaliaram que um drone carregado de explosivos descoberto em um aeroporto na Alemanha na madrugada de quarta-feira pertencia a um serviço de inteligência russo, disse à CNN um oficial de defesa dos EUA na Europa. O oficial disse que o drone carregava explosivos de grau militar; a CNN havia noticiado anteriormente que ele foi descoberto por um funcionário do aeroporto em uma área segura das operações de voos de carga.
A CNN pediu ao Kremlin um comentário sobre a avaliação de inteligência dos EUA a respeito de Putin, bem como sobre a avaliação referente ao drone.
"Avistamentos de drones, ameaças de drones inclusive em um contexto híbrido, são algo que conhecemos do passado", disse o ministro do Interior alemão Alexander Dobrindt a repórteres na quarta-feira. "Um drone armado com explosivos em um aeroporto é um novo cenário de ameaça."
Dobrindt indicou na quinta-feira (7) que o drone poderia estar ligado a "potências estrangeiras", embora tenha se abstido de fornecer detalhes.
O Conselho Nacional de Segurança alemão, liderado pelo chanceler Friedrich Merz, reuniu-se na sexta-feira para discutir o incidente no aeroporto.
As avaliações de inteligência sobre os planos da Rússia também surgem em meio a preocupações crescentes com o estoque de munições dos EUA, que foi significativamente reduzido na guerra contra o Irã, e a um aumento nas baixas civis causadas por armas russas de longo alcance.
A CNN noticiou anteriormente que quase 80% dos interceptores de mísseis THAAD — um sistema-chave de defesa antimíssil — foram esgotados na guerra em comparação com os níveis pré-guerra, assim como aproximadamente metade dos interceptores Patriot.
Enquanto isso, a ONU afirmou que as baixas civis causadas por armas russas de longo alcance aumentaram 60% entre janeiro e junho, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Em uma única noite de ataques nesta semana, mísseis balísticos e antinavio russos mataram pelo menos 17 pessoas e feriram dezenas de outras. Nenhum dos mísseis foi interceptado pelas defesas ucranianas, informou a CNN.
As preocupações com munições e interceptores essenciais estão impactando a forma como altos comandantes militares planejam possíveis conflitos futuros, incluindo uma escalada de Putin contra a Otan ou uma guerra com a China no Pacífico.
O presidente Donald Trump reclamou em particular nos últimos dias sobre relatos do esgotamento dos estoques dos EUA devido à guerra com o Irã, inclusive na semana passada em uma reunião de gabinete em Camp David, disseram à CNN seis fontes familiarizadas com a reunião.
"Os EUA têm quantidades massivas de "munições", especialmente de certos tipos", disse Trump no Truth Social na noite de quinta-feira. "Além disso, grandes quantidades estão sendo fabricadas e enviadas aos EUA conforme necessário. As empresas de defesa estão construindo o maior número de plantas e fábricas na história do nosso país."
As recentes avaliações de inteligência surgem também em um momento em que os esforços diplomáticos liderados pelos EUA para encerrar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia estagnaram. As sanções contínuas dos EUA e da Europa contra Moscou tiveram impacto na economia da Rússia, mas não impediram o contínuo ataque de Putin à Ucrânia.
